111 anos de Quintana

Talvez você não sabe; ou talvez não se interessa. Mas hoje comemora-se 111 anos de Mário Quintana. Um incrível poeta, que, não morreu! Porque poetas não morrem. Ficam eternos em seus versos, em suas metáforas; em suas frases...

"PARABÉNS, QUINTANA!

Vou caminhar em versos;
E sentirei a brisa do vento
Nestas ruas de cataventos.
Irei encontrar neste universo
As formigas em páginas
Andando entre as palavras
Dos traços certos....
Onde tu, Quintana, falares!
Ou escreveste com humor.
Até outrora como uma flor
Floresce em teus Quintanares.

Leio os livros teus diante o além
Que incontrolável desperta
Até em mim vontade de ser poeta.
Agora termino: Parabéns.

Danilo Soares"

“Nasci em Alegrete, em 30 de julho de 1906. Creio que foi a principal coisa que me aconteceu. E agora pedem-me que fale sobre mim mesmo. Bem! Eu sempre achei que toda confissão não transfigurada pela arte é indecente. Minha vida está nos meus poemas, meus poemas são eu mesmo, nunca escrevi uma vírgula que não fosse uma confissão. Nasci no rigor do inverno, temperatura: 1 grau; e ainda por cima prematuramente, o que me deixava meio complexado, pois achava que não estava pronto. Até que um dia descobri que alguém tão completo como Winston Churchill nascera prematuro — o mesmo tendo acontecido a sir Isaac Newton! Excusez du peu… Prefiro citar a opinião dos outros sobre mim. Dizem que sou modesto. Pelo contrário, sou tão orgulhoso que acho que nunca escrevi algo à minha altura. Porque poesia é insatisfação, um anseio de auto superação. Um poeta satisfeito não satisfaz. Dizem que sou tímido. Nada disso! Sou é caladão, introspectivo. Não sei porque sujeitam os introvertidos a tratamentos. Só por não poderem ser chatos como os outros? Exatamente por execrar a chatice, a longuidão, é que eu adoro a síntese. Outro elemento da poesia é a busca da forma (não da fôrma), a dosagem das palavras. Talvez concorra para esse meu cuidado o fato de ter sido prático de farmácia durante cinco anos. Note-se que é o mesmo caso de Carlos Drummond de Andrade, de Alberto de Oliveira, de Erico Verissimo — que bem sabem (ou souberam) o que é a luta amorosa com as palavras”.

Segue abaixo: Poemas declamados por ele mesmo!

0 comentários: