Conto: Pai do mangue

Conto: Pai do mangue

André e Júnior são dois grandes amigos de infância. Costumam zoar, jogar bola e fazer todas as atividades que os adolescentes fazem. Os dois têm como hobby a pesca. Na escola André convidou Júnior para pescar no domingo seguinte.  
"Claro, cara!" - Júnior aceitou o convite rápido sem pensar duas vezes. 
"Aproveita e leva suas ratoeiras para pegarmos alguns caranguejos no mangue que fica lá perto. Ouvi dizer que está com vários caranguejos."  
"É verdade! Um amigo do meu pai falou que tem muitos caranguejos por lá!". Júnior afirmou 
"Certo então! Mas eu preciso te contar uma coisa..." - André franzindo a testa e com uma voz de nervosismo disse.  
Curioso, Júnior apenas mandou ele prosseguir: "Diz aí"  
"Bom, caraestão dizendo que os últimos pescadores que... Que foram naquele mangue foram castigados" 
"Castigados? Como assim?" - Júnior questionou mantendo sua curiosidade de sempre. 
"Pelo pai do mangue!" 
"Pai do mangue? Quem é este "pai do mangue?"... " - Júnior perguntou tentando não rir. 
"O quê?! Você não conhece a história?", André ficou de boca aberta em saber que o amigo nunca havia ouvido falar espírito.
"Fala logo sobre essa droga" - Júnior replicou tentando dar um crédito acamarada.  
"Cara, essa história do pai do mangue é muito popular aqui na Paraíba. Os pescadores dizem que ele é um senhor que usa um grande chapéu e que vive no mangue para protegê-lo. Também falam que o mesmo é sempre visto por aqueles que vão pescar com maldade e falam palavrões no mangue. Ele fica com raiva quando vê isso acontecendo e faz com que correntezas derrubem a canoa dos pescadores e eles não consigam pescar  NADA de tão assustados que ficam. Também faz com que os pescadores se percam no mangue. " 
Júnior que sempre foi meio cético apenas riu do amigo.  
"Como consegue rir de uma coisa tão séria?" - André indagou zangado. 
"Meu velho amigo André... Isso não passa de uma historinha. Já somos grandes o suficiente para acreditar em bobagens, certo?" - Júnior respondeu dando leves tapinhas nas costas do amigo. 
"Agora vamos deixar isso para lá, não quero mais falar sobre histórias de pescadores", Júnior advertiu ironicamente.
 ....
O domingo chegou. O dia estava muito lindo. No céu, o Sol estava perfeitoirradiava seu calor e sua brilhante luz. André pegou seu anzol e foi até a casa de Júnior. Este também pegou seu anzol que é do mesmo modelo do de André. Por causa disso André sempre o 'zoa' falando que ele é invejoso. Também levaram as ratoeiras para pegar os caranguejos. 
Minutos se passaram e os amigos chegaram até o mangue que também estava com uma linda maré. Tinham um costume de desde a época de crianças parar diante das águas, fechavar os olhos e inspirar o ar. Sempre quando faziam isso era como se o lugar se comunicasse com eles, o silêncio, os grilos, era tudo bom. 

Passaram algumas horas pescando e conseguiram pegar a quantidade de peixes que queriam.

Júnior olhou para André alegre por ter pego vários peixes e disse: "Vamos pegar os caranguejos?"  
André concordou, mas antes avisou para Júnior: "OK, mas por favor... Não chame palavrões e não maltrate nenhum ser que há nesse mangue"
"Pelo amor... Você ainda insiste com isso?" - Riu
   
"Você não acredita, mas eu acredito!"
  
E os dois entraram. Logo Júnior começou a armar as ratoeiras. Pegar caranguejos com essas ratoeiras é uma técnica muito usada por todos da região. Principalmente pelos indígenas. 
"Pronto, agora vamos sair daqui... E esperar que as ratoeiras funcionem..." - André falou com um tom de tenção. Seu rosto mostrava medo. 
"Certo! Vamos... seu medroso!" - Junior falou ironicamente e rindo muito do semblante do amigo.
  
André foi saindo. Júnior estava andando bem atrás de André. Tudo estava bem até o jovem ouvir um barulho. Era o som da ratoeira quando captura um caranguejo. Junior voltou para pegar a armadilha e André caminhava adiante consigo mesmo. O garoto não olhou para trás e não percebeu que seu melhor amigo havia voltado para pegar a ratoeira e capaz de entrar em uma grande enrascada.
  
Júnior abriu a tampa da ratoeira para ver o caranguejo e sem querer deixou o mesmo fugir. Tentou pegar o crustáceo colocando a mão bem atrás do casco do animal. Porém, o caranguejo o atacou dando um grande beliscão com a pata maior. garoto não controlou sua raiva. Xingou muito o caranguejo e pegou um pedaço de pau. Tacou bem no casco do crustáceo. Estourou o coitado. 

...

André ficou desesperado quando percebeu que Júnior não estava mais com ele.

"Meu Deus, Júnior, cadê você?"  

Correu seguindo em frente. Queria sair e pedir ajuda para os pescadores que estavam ali. Estava assustado. Júnior passou horas tentando voltar para casa. Provavelmente já se encontrava perdido.  19:00 dá noite e o adolescente ainda estavam no mangue sem nada para fazer. 

 "Que droga, será que isso é a tal maldição?", pensou. E riu de si mesmo. Logo sussurrou, "Não existe maldições. Estou ficando louco. Deve ser porque estou nessa droga de mangue sem nada para fazer e apenas olhando para o tempo." 

Minutos depois, para completar sua infelicidade, várias muriçocas estavam picando ele. Novamente perdeu a paciência e xingou tudo em volta. Quando menos esperava apareceu um homem, chapéu grande e com um cachimbo na boca.
 "Quem é você?", Questionou com medo. O homem desapareceu rapidamente. E do nada todas as árvores começaram a balançar como nos filmes de terror que ele assistia. Júnior não sabia o que fazer. Apenas correu. Correu com muito medo pelo mangue. Bateu em todos cipós que havia em sua frente. Seu corpo ficou vermelho das cipoadas. Porém, ele não ligou. Apenas queria sair dali. Cansou-se e logo se escondeu bem atrás de algumas árvores.  
"Caramba, então a lenda é real? Eu vi, ele tinha um chapéu...", comentava horrorizado. Do nada, começou a ouvir assobios. Tentou seguir aquele som, mas não chegava em lugar algum que se mostra a saída que queria.
  
O amigo dele, André, contou para todos os pescadores que ele estava perdido lá dentro do mangue. Porém, nem os pescadores nem ninguém encontraram Júnior. Tudo indica que o jovem está vivo só na mente de quem o conheceu.

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