RESENHA - Extremamente Alto & Incrivelmente Perto

RESENHA - Extremamente Alto & Incrivelmente Perto

INCRIVELMENTE SOZINHO

ACHO QUE ACABEI DORMINDO NO CHÃO.
QUANDO ACORDEI, A MÃE ESTAVA TIRANDO
A MINHA CAMISA PARA ME AJUDAR A VISTIR
O PIJAMA, O QUE SIGNIFICA QUE ELA DEVE
TER VISTO TODOS OS MEUS ROXOS. CONTEI
ELES ONTEM À NOITE NA FRENTE DO
ESPELHO E HAVIA QUARENTA E UM. ALGUNS
FICARAM GRANDES, MAS A MAIORIA É
PEQUENA. NÃO FAÇO PARA QUE ELA
VEJA, MAS AINDA ASSIM QUERO QUE ELA
ME PERGUNTE COMO FOI QUE
ELES APARECERAM (EMBORA ELA
PROVAVELMENTE SAIBA)




O pequeno Oskar Schell de apenas 9 anos, é um inventor, desenhista e fabricante de joias, francófilo, vegan, origamista, pacifista, percussionista, astrônomo amador, consultor de informática, arqueólogo amador, colecionador de moedas raras, borboletas que morrem de causas naturais, memorabilia dos Beatles e pedras semipreciosas, e tudo mais quanto sua mente o permitir ser, mas o que ele não se permitir ser, mas sabe que é: SOZINHO.
Durante um dia que começou normal, rapidamente se tornou no dia mais perturbador de sua vida. Após a morte do seu pai no acidente do dia 11 de Setembro de 2001, Oskar acha uma chave no closed de seu pai, e parte em busca da fechadura pertecente à ela. Aí é onde toda a história começa. Com alguns flashbacks de sua rotina diária com seu pai, onde procuravam erros no New York Times, caçavam objetos perdidos e de incríveis histórias antes de dormir, é com esses pensamentos que ele explora todos os 5 distritos de Nova York em busca da fechadura.

"Extremamente Alto & Incrivelmente Perto", nos permite ter 9 anos novamente e descobrir que a solidão rodeada de pessoas, é sufocante até mesmo para uma criança.

Jonathan Safran Foer, autor de Tudo Se Ilumina, consegue mais uma vez reunir delicadeza e perturbação em sua obra. Possuindo 3 narrativas em primeira pessoa, sendo a do Oskar a principal, conseguimos entender o passado e o presente dos personagens. Tudo começa com Oskar como uma criança brilhante, passa pelo seu avó perdendo as palavras até que sobre somente SIM e NÃO, até finalizar com sua avó esperando para ser esculpida mais uma vez.


POR QUE NÃO ESTOU ONDE VOCÊ ESTÁ
11/9/03

Eu não falo, lamento. 


Nos capítulos onde Oskar conversa conosco, conseguimos ver uma criança prodígio, mimada, irritante e que ama seu pai acima de tudo. Com o passar das páginas, vamos descobrindo junto à ele mesmo quem ele é. Enfrentar seus medos de andar na rua, aravessar pontes e andar de metrô ao mesmo tempo em que tem que lidar com a recente morte de seu pai, faz com que ele chore e se auto machuque enquanto ninguém está vendo. Com o decorrer da história ao encontrar cada Black de sua lista, ele aprende algo novo e como ser uma pessoa melhor, essas são umas das minhas melhores partes do livro. Para Oskar, deixar de acreditar algo que seu pai lhe ensinou, ou o que acredita ser verdade é muito difícil, e ao encontrar cada Black tem que decidir em continuar sendo quem é e manter a memória forte de seu pai, ou mudar e com o tempo ir perdendo essas memórias. Seu relacionamente com sua mãe é extremamente difícil, e com o passar das páginas vamos nos emocionando com cada descoberta desse relacionamento.

Confesso que em alguns momentos do livro eu me perdia bastante. Quando a narrativa da avó dele entrou, demorei para saber que não era o Oskar e demorei mais ainda para descobrir quem estava falando. No começo achei muito chato e desnecessário cada capítulo dela, mas quando entrou a narrativa do avô de Oskar, pude entender os capítulos dela e senti vontade de lê-los novamente. Com o decorrer do tempo vamos construindo uma visão sobre ela que nos faz pensar: COMO AS PESSOAS QUE CONHECEMOS TEM UMA HISTÓRIA QUE NÃO CONHECEMOS. E isso me fascinou e me fez julgar menos as pessoas. Também confesso que ficou um pouco confuso o passado dela com a sua irmã, e creio que o que facilitou essa confusão minha foi o fato da linha do tempo ser um pouco bagunçada. Hora ela falava de depois da guerra, hora falava de antes,mas nada que atrapalhasse a leitura, pois com o tempo essas coisas vão se desenrolando.


MAIS OU MENOS
OTIMISTA, PORÉM REALISTA

"Sinto falta do pai." "Eu também." "Você também?" "Claro que sinto." "Mas sente mesmo?" "Como pode me perguntar isso?" "É que você não age como se sentisse muita falta dele." "Do que você está falando?" "Acho que você sabe do que eu estou falando." "Não sei." "Escuto você rindo." "Você acha que não sinto falta do pai só porque rio de vez em quando?" Virei de lado ficando de costas para ela.



O fator que me fez ter um contra do livro, é o fato de o seus diálogos serem unidos, e havia momentos em que eu não fazia a menor ideia de quem estava falando e pulava essa parte.
Mas os prós são muitos maiores. Jonathan Safran conseguiu entregar um livro bem interessante que chama a atenção. Podemos encontrar algumas imagens dos pensamentos do Oskar, o que eu acho fantástico, pois entrega aos leitores uma experiência que facilida muito o entendimento do personagem e faz com que nós consigamos ver o que o personagem está vendo. Em alguns momentos também encontramos apenas uma frase em uma página, ou quando o avô do Oskar está falando em números, essa é uma dinâmica com o leitor que faz com que o livro e os personagens se tornem parte da vida do leitor. 





Em 2011 foi exibido uma adaptação cinematográfica do livro, tendo o novato e extremamente talentoso Thomas Horn no papel do pequeno Oskar, sem falar também de Tom Hanks e Sandra Bullock como seus pais. Quero dizer algumas coisas que achei ao assistir esse filme: A adaptação não é fiel, mas após ler o livro, percebi que não tinha como ser, o livro tem coisas que não dariam certo no filme e levaria muito tempo para serem explicadas, PORÉM o filme é extremamente bom e nos entrega o mesmo Oskar que vemos no livro, sem mais e sem menos. Existe uma cena que quando assisti, me fascinou demais, e que demonstrou que mesmo sendo novato, Thomas Horn fez algo que muitos atores mirins não conseguem fazer direito: SURPREENDER. Na cena em questão, o Oskar entra na cozinha brigando com sua mãe e começa a quebrar as coisas e falar sem parar, igualmente acontece no livro, e logo após diz que preferia que fosse a mãe dele à ter morrido no acidente e não o pai. Essa cena me emocionou bastante e assim como no livro, você entende o oskar de uma maneira que te faz querer poder abraçá-lo e dizer que tudo ficará bem.

Extremamente Alto e Incrivelmente perto, é um livro espetacular e que recomendo para os fins de tarde

Por enquanto é só galera, até mais!
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Título: Extremamente Alto & Incrivelmente Perto
Autor: Jonathan Safran Foer
Editora: ROCCO
Ano: 2005
Páginas: 392

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