Análise Versos Íntimos



Que Augusto é um escritor espetacular ninguém nega. Ao longo de alguns anos o mesmo ficou esquecido, entretanto, nos últimos tempos o ´Poeta da Morte´se tornou um dos autores mais lidos da América Latina. Seu soneto "Versos Íntimos" é muitas vezes cobrados em concursos. Isto torna, para os iniciantes em poesias, uma coisa difícil de se interpretar, visto que Augusto contém um grande vocabulário recheado de palavras "não entendíveis" para leigos.

Abaixo segue uma pequena análise sobre este poema:


Logo se percebe que o título se refere a algo do autor. "Versos íntimos", a palavra "íntimo" segundo o dicionario é algo como: "Interior e profundo" então vale lembrar que vai ter um pouco do autor neste poema.


Vês! Ninguém assistiu ao formidável

Enterro de tua última quimera.

Somente a Ingratidão - esta pantera -

Foi tua companheira inseparável

Percebe-se que nesta primeira estrófe o eu lírico informa que ninguém assistiu um enterro de uma quimera. A palavra "quimera" tem diversos significados, mas a que o autor está se referindo é um sonho que não foi realizado. Então em outras palavras seria algo como: "Ninguém ligou para você, ninguém se importou para teu sonho". No terceiro verso o autor se refere a uma "ingratidão", que é a única coisa que surge com qualquer pessoa quando fica só ou é traido por alguém. 



Acostuma-te à lama que te espera!
O Homem, que, nesta terra miserável,

Mora, entre feras, sente inevitável

Necessidade de também ser fera.

Ele, o poeta, escreveu neste soneto: "Acostuma-te à lama que te espera!", esta linguagem magnifica nos dias de hoje seria algo como: "Se acostuma que tu vai cair! então fica esperto". Há pesquisas que mostram que Augusto não acreditava muito em amizades então por isso ele tinha estas supostas ideologias de que uma hora ou outra este teu amor por "amigos" vai acabar. Ele também cita:" O homem, que, nesta terra miserável, mora, entre feras, sente inevitável necessidade de também ser fera." Logo se percebe que o autor se refere que em um determinado tempo convivendo neste meio de "falsos" será fácil você também aprender a ser falso. 

Toma um fósforo. Acende teu cigarro!
O beijo, amigo, é a véspera do escarro,

A mão que afaga é a mesma que apedreja.

"Toma um fósforo. Acende teu cigarro!". Neste verso o eu lírico pede para que alguém "relaxe" e logo informa: "O beijo, amigo, é a véspera do escarro..." O beijo simboliza o amor, e neste caso "véspera do escarro" seria, nestes sentimentos, uma festa de ingratidão. "A mão que afaga é a mesma que apedreja" esta também foi uma maneira inteligente de informar que a pessoa que te faz carinho "pelas costas irá meter a faca".


Se a alguém causa inda pena a tua chaga,
Apedreja essa mão vil que te afaga,

Escarra nessa boca que te beija!

Nesta última estrofe o poeta recomenda que, se alguém ainda te faz carinhos, apedreja essa mão, pois por trás do carinho existe uma pantera querendo te devorar. Então ele manda cortar este mal pela raiz e termina o soneto: "Escarra nessa boca que te beija" porque este "amor" é uma ilusão.





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