POEMA - ESTÂNCIAS - FAGUNDES VARELA

    
    
    
    
    
    
    
    
    
    
    
    
    
    
    Estâncias
    
    
    
    O que eu adoro em ti não são teus olhos,
    
    Teus lindos olhos cheios de mistério,
    
    Por cujo brilho os homens deixariam
    
    Da terra inteira o mais soberbo império.
    
     
    
    O que eu adoro em tu não são teus lábios,
    
    Onde perpetua juventude mora,
    
    E encerram mais perfumes do que os vales
    
    Por entre as pompas festivais da aurora.
    
     
    
    O que eu adoro em ti não é teu rosto
    
    Perante o qual o marmor descorara,
    
    E ao contemplar a esplendida harmonia
    
    Fídias, o mestre, seu cinzel quebrara.
    
     
    
    O que eu adoro em ti não é teu colo,
    
    Mais belo que o da esposa israelita,
    
    Torre de graças, encantado asilo,
    
    Aonde o gênio das paixões habita.
    
     
    
    O que eu adoro em ti não são teus seios,
    
    Alvas pombinhas que dormindo gemem,
    
    E do indiscreto vôo duma abelha
    
    Cheias de medo em seu abrigo tremem.
    
     
    
    O que eu adoro em ti, ouve, é tu’alma,
    
    Pura como o sorrir de uma criança,
    
    Alheia ao mundo, alheia aos preconceitos.
    
    Rica de crenças, rica de esperança.
    
     
    
    São palavras de bondade infinda
    
    Que sabes murmurar aos que padecem,
    
    Os carinhos ingênuos de teus olhos
    
    Onde celestes gozos transparecem!…
    
     

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