A elegante canção de 'Alfredo do amendoim'

A elegante canção de 'Alfredo do amendoim'

Alfredo do
Alfredo Silveira Santos é vendedor, poeta e cantor Paraibano natural de Rio Tinto. Tornou-se compositor a partir de seus 60 anos. Desde jovem valorizou toda cultura do Nordeste e tem como grande inspiração Luiz Gonzaga. Suas letras exibem grande conteúdo lírico, o que fez suas canções tornar símbolo de sua cidade, sendo muitas vezes tocadas nas rádios locais e apresentadas em trabalhos de estudantes na UFPB e escolas de sua região. O mesmo mostra nos versos: problemas do país, costumes de seu povo, humor dos nordestinos e toda cultura que aqui se encontra. 
Seus versos livres, em algumas estrofes apresentam rimas 'A - B - B - A' , já em outras a estrutura muda e encontram-se 'AA' e 'AA - BB'. Tecnicamente na canção toda a musicalidade exibida em sua poesia e o ritmo que o mesmo faz se caracteriza no estilo forró.  



'O que será do planeta?'



Meu pai do céu como 
Tu és poderoso! 
- Somos teimosos  

Num queremos te escutar... 
Fizesse rios, cachoeiras e cascatas... 
- Derrubando nossas matas 
Tudo isso vai acabar. 

Olhe, meus irmãos, 
E escute o que eu estou dizendo: 

O planeta tá tremendo, 
A mata Atlântica tá morrendo,  
Amazônia tá gemendo... 

E quando eu penso me dá um pesadelo; 
Como que fica os biomas brasileiros... 

Por isso eu falo. Num posso 
ficar calado! 
Que será da mata atlântica, 
A caatinga e o serrado?  

Destrói tudo,  
uma arvore nem se planta! 
Que será do pantanal, amazona 
E os pampas 

Por isso tudo que eu falo 
Para tu,  
eu vejo de norte a leste 
E também de norte a sul. 

O progresso crescendo desordenado  
E os mangues aterrado,  
nosso povo engasgado  

Sem poder respirar! 
Em Mariana houve um grito de tremor  
Até o sistema Cantareira  
Também se abalou  

Mas isso tudo que  
eu falo pra você 
É só por causa da ganância, 
Riqueza e poder. 

Com isso tudo dá um desgosto  
Profundo! 
Alguém que reclamou 
Já está em outro mundo! 



Na canção acima, que é de sua autoria, o artista reivindica todo o desmatamento do planeta em 12 estrofes falando de biomas e da ganância do homem que, muitas vezes, só quer poder e esquece que a riqueza do mundo é a natureza. 

Assim sendo, ele começa a canção citando Deus; "Meu pai do céu como tu és poderoso/ Somos teimosos não queremos te escutar". — O eu lirico deixa claro que a divindade é o centro de tudo e o único que sabe o que vai acontecer, porém o povo que em sua terra faz morada não quer aceitar seus conselhos e por isso o mundo está do jeito que se encontra. 

Os últimos versos desta musica mostra que uma pessoa que protestou pelo meio ambiente veio a falecer, pois as pessoas não deve ter ligado ou até mesmo matado este personagem que ordenou melhoras do mundo fazendo campanhas e protestos para o povo prestar atenção na poluição e desmatamento que está trazendo ao planeta. "Com isso tudo dá um desgosto/ Profundo/ alguém que reclamou/ Já está em outro mundo".  

Não há duvida que o Alfredo sabe muito bem o que escreve e que é um grande artista paraibano.

Pequeno documentário sobre 'O vendedor de amendoim'




Nenhum comentário