Melhores livros de 2017 - David Benner



Chegamos naquele momento de nostalgia, onde realizamos uma retrospectiva de todo o ano. E hoje eu quero mostrar para você os melhores livros que li em 2017, espero que gostem.




E minha lista começa com um ótimo livro para crianças. John Boyne se consagrou na carreira de literatura infantil, com o seu trabalho mais notório, O Menino do Pijama Listrado. Em Noah Foge de Casa temos a história de um menino de 8 anos chamado Noah, que em um belo dia ele decide fugir de casa. Obviamente, por ele possuir apenas 8 anos, concluímos uma enorme imprudência e imaturidade em suas atitudes, mas rapidamente o leitor passa à enxergar Noah de uma maneira diferente. O real motivo pela sua fuga talvez o faça querer chorar um pouco. Durante a sua aventura, ele conhece um lugar numa floresta, onde tudo é muito estranho e esquisito. Encontra uma casa torta e um senhor de idade bem avançada que começa à lhe contar algumas histórias. E o livro gira em torno disso, um capítulo é o Noah contando sobre sua vida e outro capítulo é o velho contando alguma história de quando era bem novo. Por ser um livro infantil, temos aqui uma surrealidade exurberante e muitos elementos fantásticos, mas duvido que os ensinamentos não toquem à um leitor já adulto. Toda a a história de vida do velho é emocionante e o motivo da fuga de Noah é avassalador para nossas mentes, enxergamos um Noah preocupado, triste e apavorado com a ideia de uma coisa (Sem spoiler), acontecer na sua vida. O que Noah faz é o que a maioria de nós fazemos, fugimos da nossa realidade por não querermos aceitar o que virá, como a morte prevista de um filho, uma mudança drástica que nos gera pânico e por aí vai. Algo que me surpreendeu na história, é o Pinóquio.

Sempre teremos a opção de voltar e reconstruir...


Título: Noah Foge de Casa (Noah Barleywater Runs Away)
Autor: John Boyne
Editora: Seguinte
Ano: 2011
Páginas: 195
Um pouco mais de John Boyne. O Pacifista foi um livro que me pegou muito de surpresa, pela sua história e pelo seu enredo. A capa em si tem algo revelador que eu não percebi, até ler o livro, hoje todas as vezes em que à olho, fico imaginando como não percebi antes. Em O Pacifista conhecemos a história do joven Tristan Sadler de apenas 21 anos de idade. Esse é um livro estilo John Boyne, onde vamos ter vários e vários saltos temporais. Temos aqui 3 linhas temporais, uma onde Tristan está aposentado do serviço militar, outra onde ele conta a sua adolescência e a última, onde ele revela detalhes de quando servia ao exército. Você pode esperar um pouco de tudo nesse livro, seja guerra, detalhada de uma forma perfeita e amedrontadora à romances homossexuais. John Boyne tem uma habilidade incrível em pegar uma história real, geralmente de guerras que aconteceram, e colocar elementos ficcionais, sem alterar em nada a história original, assim como ele faz em O Menino do Pijama Listra, Uma História de Solidão, o Palácio de Inverno, O Menino no Alto da Montanha, O Garoto do Convés, Fique Onde Está e Então Corra, e em O Ladrão do Tempo, seu primeiro romance. Na sua cronologia alinhada, O Pacifista começa na adolescência de Tristan, onde ele descobre gostar de homens, numa época em que isso era visto como algo extremamente errado e pecaminoso, ele sofre ataques da sociedade onde mora, do seu melhor amigo e de seus pais, e chega à ser expulso de casa e humilhado pelo pai. Sendo obrigado à sobreviver como mendigo, decide se alistar no exército, onde começa outra linha temporal. Esse é o ponto chave do livro, você, leitor, já se apaixonou por alguém ou teve uma amizade onde depois de tempos descobriu que só você era o amigo ou o namorado(a)? Onde percebeu que a outra metade não se entregava ou não era o que você imaginva? Isso é o que ocorre com Tristan, quando se apaixona pelo amigo do exército. Com o tempo Tristan descobre que ele nunca terá o que ele quer, e é isso que você leitor descobrirá nessa incrível aventura histórica.
Eu o amo, mas quero que morra.


Título: O Pacifista (The Absolutist)
Autor: John Boyne
Editora: Companhia das Letras
Ano: 2011
Páginas: 302





Eu já falei desse livro algumas vezes aqui no blog. Aqui você pode conferir a resenha dele, e aqui falamos mais um pouco dele. Extremamente Alto & Incrivelmente forte nos mostra a história do pequeno Oskar que tem que aprender à conviver com a dor e o luto de ter perdido seu pai no atentado de 11 de Setembro. Oskar é uma criança mimada demais e bastante chata, sendo incoveniente diversas vezes e usa sua inteligência de formas erradas, mas vendo a solidão dele e sua recusa de aceitar a morte do pai, conseguimos ver além dessas características. Conseguimos enxergar um menino sozinho e que apenas quer ser ouvido, e onde realmente chorar. Com o passar da história ele aprende a ser uma pessoa melhor e à reconhecer que por muitas vezes é chato e irritante. A história começa com a morte de seu pai e depois de um bom tempo ele descobre um enigma, parecido com os que ele jogava com o pai, e nisso ele vai em buscas de todas as pessoas com o sobrenome Black na sua cidade. O momento da mudança dele começa aí, à cada Black que ele conhece, é um conhecimento adquirido. Jonathan Safran peca mais uma vez ao desenvolver um personagem infantil, colocando uma extrema inteligência e pensamentos complexos e desconexos para uma criança, e novamente em seus diálogos, mas nos entrega uma história rica em detalhes e surpresas. Através de flashbacks, passamos pela guerra. Todos os personagens são importantes, e Jonathan vai fazendo um jogo em que cada 'coisa' vai se encaixando com o decorrer do livro. Esse livro foi adaptado cinema.


Temos tantas chaves cujas fechaduras não são nossas


Título: Extremamente Alto & Incrivelmente Perto (Extremely Loud & Incredibly Close)
Autor: Jonathan Safran Foer
Editora: ROCCO
Ano: 2005
Páginas: 392
Quando li O Caçador de Pipas eu fiquei devastado com toda a história. Khaled Hoisseini fez algo que pouquíssimos autores conseguem fazer com tamanha perfeição, que foi fazer o autor sentir raiva, chorar, gargalhar, tudo ao mesmo tempo. Eu pensei que jamais acharia um livro com esse feito, mas me enganei ao ler A Cidade do Sol. Mais uma vez ele me fez odiar o que estava lendo, não sei dizer se é o pensamento de que essas coisas acontecem, ou o fato do Khaled não querer agradar ao leitor, mas sim mostrar a realidade. Não temos aqui príncipes, rainhas, romance ou qualquer coisa do tipo, no lugar dessas coisas temos uma menina adolescente abandonada pelo pai rico por causa de vergonha e sendo obrigada à casar com um homem bem velho, ao qual à espanca sempre quando ela sai com o rosto descoberto. Temos uma menina adolescente que assiste aos pais serem mortos por uma bomba em meio à guerra e é obrigada à casar com um homem já casado, simplesmente para ter o que comer e sobreviver. Temos muitas coisas nessa história e a maior de todas, é a paixão pelas protagonistas. Khaled consegue nos fazer sentir a dor das duas e refletir se o que fazemos durante o extremo desespero é correto ou não. Se você tiver a chance de matar quem está te matando aos poucos você mataria? Talvez sua resposta imediata seja: Sim, claro! - Mas Khaled nos mostra que nem tudo é tão simples assim, nos mostra também que toda ação exige de imediato uma reação.

José há de voltar a Canaã, não se lamente,
Cabanas vão se tornar jardins de rosas, não se lamente.
Se as águas chegarem destruindo tudo que vive,
Noé será seu guia em meio à tempestade, não se lamenta.



Título: A Cidade do Sol (A Thousand Splendid Suns)
Autor: Khaled Hosseini
Editora: Editora Nova Fronteira
Ano: 2007
Páginas: 364
Também já abordei esse livro numa resenha, e num artigo. Eu amo muito filmes e livros de guerras, do modo que mostra alguém tentando sobreviver em diversas situações, e em Os Meninos que Enganavam Nazistas temos uma ótima dose disso. E quem melhor para descrever o que aconteceu, do que o próprio indivíduo? A história relata a fuga dos irmãos Joffo, de 10 e 12 anos, após o exército alemão invadir a região onde viviam. Toda a família se dispersa, e os dois são direcionados pelos pais à fugir em tal direção. O irmão mais novo, Joseph Joffo é o próprio autor do livro e nos conta sua incrível história de fuga com seu irmão. Sua hiscrita é magnífica, de um modo que consegue nos transportar para a segunda guerra mundial. Podemos sentir raiva do Hittler e dos alemãos, sentir amor por aqueles que arriscaram suas vidas para ajudar dois meninos que passaram fome e frio. Eles recebem uma missão de nunca, em hipótese alguma dizer que são judeus, e caso alguém peça para eles mostrarem o pênis, é para dizer que forão operados. Os garotos passam por diversas situações, como mentir repetinamente, viajar para lugares longes e desconhecidos sozinhos, frio, abuso sexual de mulheres de 'prostíbulos' na França e muito mais. O livro foi adaptado duas vezes ao cinema, sendo a segunda versão a preferida do autor que já chegou à dizer que a primeira altera muito sua história, e para quem, como eu, que assistiu as duas versões e leu o livro, concorda.


E de repente, eis que a guerra deliberada, feita por adultos de gravatas e medalhas, acaba por jogar uma criança, eu, a coronhadas, num quarto fechado, me privando da liberdade, a mim, que não tinha feito nada, que não conhecia nenhum alemão...


Título: Os Meninos que Enganavam Nazistas (Un Sac de Billes Autor: Joseph Joffo Editora: Vestígio Ano: 2017 Ano da edição original: 1973 Páginas: 320





Também já fiz a resenha desse livro aqui no blog. Assim como temos dois livro na lista do John Boyne, também temos dois livros do Jonathan Safran Foer. As mesmas coisas que Jonathan errou em Extremamente Alto & Incrivelmente Perto, ele também erra aqui. Mas da mesma forma que ele acertou na história de lá, acertou aqui também. Aqui Estou é um livro que faz nosso coração pulsar de agonia e medo de acreditar que tal coisa realmente vai acontecer na história. Em todas as vezes que eu percebia que a hstória estava caminhando para algo, me dava medo só de pensar. E de repente, acontecia. John Boyne consegue de uma forma explêndida detalhar uma história real e misturar com ficção e Jonathan Safran consegue de uma forma magnífica fazer o autor pular, seja de incredulidade ou alegria, ele faz. Confeso que pela maneira massante em que Jonathan escreve, eu tenha demorado mais do que o normal para ler as mais de 550 páginas. Esse livro não é para qualquer um, se você estiver em uma mudança na sua vida, mediante à algo 'ruim', não leia se não a história vai te esmagar e acabar te fazendo tomar ou pensar em decisões precipitadas. Aqui Estou é um nome referente ao que Abraão responde quando tanto Deus, quando seu filho Isaque o chama e ele responde: Aqui Estou. Temos aqui nessa história uma família, Jacob e Julia casados por cerca de 16 anos e Sam, Max e Benjy, 13, 10 e 4 repectivamente, são três meninos filhos do casal. A história toda começa com o Sam sendo acusado de ter escrito coisas terríveis e daí toda a trama gira em torno disso, e no decorrer da história, você percebe que o que Sam fez já não é mais relevante, mediante à tantos problemas que a família passa, além da morte do avó e da destruição provocada por um terremoto em Jerusalém.


Porque só somos jovens uma vez em uma vida


Título: Aqui Estou

Autor: Jonathan Safran Foer

Editora: ROCCO

Ano: 2016

Páginas:591

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