RESENHA - As Fúrias Invisíveis do Coração


John Boyne é sem dúvida um dos maiores autores da atualidade. Tendo milhares de livros vendidos ao redor do mundo e 1 adaptado à um longa metragem, Boyne já se tornou obrigatório à sua estante. Tendo clássicos como O Menino do Pijama Listrado e O Pacifista, agora podemos contar com mais um nesse meio, pois As Fúrias Invisíveis do Coração veio não somente para ser mais um livro de John Boyne, veio também para quebrar tabus! Com seu estilo fantástico de viajar na linha temporal, nessa história coseguimos ver a diferença de ser homossexual nas décadas de 50, 60, 70, 80, 90 e nos anos 2000 em diante. John Boyne tem a características de polemitizar algo em suas histórias, indo desde pedofilia, abondono de incapaz até a Igreja Católica! Em todas as suas histórias observamos não somente o seu feito magnífico em contar histórias, como também um pouco do que presenciou e também as suas revoltas mediante à sociedade.


Em As Fúrias Invisíveis do Coração temos um normal e tranquilo menino de 7 anos que foi adotado pelo casal Avery. A história se inicia antes de seu nascimento com um assunto bastante revoltante para muitos, e John Boyne o aborda de maneira que para pessoas sem muitas informações, pode ser prejudicial e até mesmo as fazendo tomar opniões erradas. Após a igreja católica tomar uma decisão sobre a mãe de Cyril, protagonista do livro, ela se vê obrigada à fazer o que não queria. Sem uma direção certa e sem recursos, ela têm de colocar Cyril para a adoção (Sem spoilers aqui, isso você encontra na biografia, contra-capa e assim por diante.). John Boyne consegue colocar saltos temporais de forma excelente em seus livros e caso você já tenha lido outros livros do autor, especialmente Uma História de Solidão, saiba que aqui não temos o seu habital 'embaralho' nisso. Apesar de viajarmos grandemente na história, ele segue uma linha lógica, sem ficar intercalando entre passado, presente e futuro. Cyril Avery é um menino de 7 anos como qualquer outro, à não ser pelos seus pais adotivos e sua recém descoberta interpessoal. 

Muitas das coisas que acontecem no livro podem parecer um total absurdo e improváveis de acontecer na realidade, mas vale lembrar que 1940 é MUITO diferente dos dias atuais e no país onde acontece toda a história, na Irlanda, os assuntos e a trama recorrente no livro eram extremamente suscetíveis a acontecer. Quero abordar aqui alguns assuntos que ocorrem no livro, sem spoilers reveladores, que eu acho de suma importância. Não irei defender nenhum ponto de vista e nem amenizar o que o John Boyne quis transpassar, mas somente informar ao leitor dessa resenha de que tudo o que acontece na história, de fato acontecia, mas, pelo meu julgamento, nem tudo se resumia a ódio e desprezo naquela época, nem todos os padres molestavam crianças e nem todos os Gardaí eram dominadores.

JOHN BOYNE
Quando você lê muitas obras de um autor, conhece parte de sua mente e personalidade, pois ao escrevermos acabamos de pôr a nossa maneira de pensar, agir e até mesmo de falar em nossas histórias, seja isso de maneira consciente ou não. Não que tudo fica homogênio, mas sim que em todas as histórias sempre acabamos por colocar algo nosso no meio, e com John Boyne também é assim. Após ler todos os livros do autor publicados no Brasil, ao todo até o momento são 13 livros, posso falar algumas coisas que diz respeito ao autor. John Boyne tem duas classificações de livros, infantil e adultos. Suas histórias infantis sempre abordam assuntos de medo e aceitação, em A Coisa Terrível que Aconteceu com Barnaby Brocket é falado sobre se aceitar como é, em Fique Onde Está e Então Corra, conta sobre o medo de perder os pais e em Tormento é contado sobre responsabilidades. Já em suas histórias adultas, encontramos esses mesmos assuntos, mas abordados de modo direto. John Boyne é homossexual, e 90% de suas histórias, infantil e adulta, temos personagens gays, a maioria os protagonistas. Ele é também Irlandês e novamente, 90% de suas histórias se passam ou contam sobre a Irlanda. O único livro do autor que foge de 'seus feitos', é A Casa Assombrada, pois foi um teste do mesmo sobre temas de terror. E em As Fúrias Invisíveis do Coração temos mai de John Boyne também, com saltos temporais estranhamentes feitos de 7 em 7 anos na história, com um personagem gay e ligações com outras histórias dele, como na parte onde ele vai procurar um médico e se finje se chamar Tristan que é o protagonista em O Pacifista.

IGREJA CATÓLICA
Não sei como foi a vida de John Boyne e por isso tudo o que eu disser aqui pode não ser verdade. Mas após ler 13 livros do autor, consegui observar algo, que John Boyne rejeita a igreja católica com todas as forças. Nas suas histórias adultas, em especial Uma História de Solidão e As Fúrias Invisíveis do Coração ele 'ataca diretamente' a igreja católica. Para escrever Uma História de Solidão ele estudou muito o passado da igreja católica e teve ajuda de alguns padres e ex-padres para escrever toda a história. Nela é contada sobre os abusos sexuais que os padres inflijam aos meninos e a culpa que a igreja tinha sobre muitas mortes de suicídio por conta disso e por outros fatores como a negligencia em diversos aspectos. Uma das cenas mais pesadas do livro é quando um dos protagonistas, padres, é acusado de estrupar semanalmente um de seus coroinhas sobre a alcunha de ajuda. Já em As Fúrias Invisíveis do coração, ele descreve os padres como consumidos por ódio e desprezo, o que era verdade em alguns, mas não em todos. Chega até mesmo à matar um deles na história de maneira banal. Eu não tenho amor e nem ódio pelos padres, mas observo que as experiências que John Boyne possa ter tido com eles não foi das melhores e hoje descreve isso em suas histórias.

GUERRAS
Antes de conhecer os livros do John Boyne, eu dizia que odiava livros sobre guerras, até que li O Menino do Pijama Listrado e mudei de opnião. Mesmo este sendo um livro infanto-juvenil a segunda guerra mundial é descrita de forma maestral! Em O Palácio de Inverno, O Menino do Pijama Listrado, O Menino do Alto da Montanha, Fique Onde Está e Então Corra e em O Pacifista, John Boyne descreve sobre as guerras de maneira direta, mais precisamente a primeira e segunda guerra mundial, já em outros livros ele descreve de forma indireta, como em um comentário e outro, como fez em O Ladrão do Tempo e em As Fúrias Invisíveis do Coração.
Ele utiliza um termo em seus livros que foi muito utilizado na primeira guerra mundial: "Essa é a guerra para acabar com todas as guerras" - Porém como sabemos, eles não tinham como saber da segunda guerra mundial.

HISTÓRIA REAL
John Boyne faz algo que eu particularmente amo em qualquer livro, que é contar histórias reais. Ele pega um fato que aconteceu na vida real e acrescenta um personagem extra e narra toda a história, colocancdo sua trama, mas sem alterar o que de fato aconteceu. Um exemplo disso é em O Palácio de Inverno, onde ele pega a história real do último Czar, onde toda sua família foi morta à tiros, e acrescenta um único personagem e cria sua trama. Tudo o que aconteceu com a família, todos os seus passos contidos na história foram reais, com excessão, claro, do personagem e da trama criada. Isso também acontece em O Garoto do Convés, que é de lavada o meu melhor livro do mundo! Aqui temos a história de um motin de um navio na tentativa de obter Fruta-Pão para o rei, ele também acrescenta um personagem e uma trama sobre a história real. Já em As Fúrias Invisíveis do Coração não temos isso, não temos uma história real sendo contada, mas vale salientar de que John Boyne é reconhecido mundialmente por saber contar histórias, que ou seja, mesmo não sendo uma história real é plausível de que tudo possa ter acontecido com alguém.



Em As Fúrias Invisíveis do Coração, temos a história de um homem que cresceu de maneira errada, com pais adotivos que sempre o faziam se lembrar que não era um Avery de verdade e nunca seria filho deles. Cyril cresceu numa Irlanda que literalmente matavam os homosexuais e ao lado de um amigo que demonstrava aversão ao homossexualismo. Vamos encontrar uma história de obssessão, remorso, ódio e malandragem nesse livro.
Cyril Avery viveu uma vida que infelizmente muitos viveram nos séculos passados em um país dominado pela igreja católica e infestado pela AIDS. John Boyne consegue transmitir nessa história todo esse ódio da antiga Irlanda e o início da 'popularização' da AIDS, onde chamavam de doença de gay, termo que chegou até o Brasil também na época do Cazuza. Eu senti algo nesse livro que eu não sentia desde ter lido O Caçador de Pipas, que é a angústia. Temos muitos encontros e desencontros que me deixavam angústiado.

Nosso rosto manifesta as fúrias invisíveis em nosso coração



Está aqui um livro fantástico e que recomendo, não somente por eu ser fã do John Boyne, mas pela a história ter sido verdadeira para muitas pessoas, Irlandeses, Brasileiros ou qualquer outra etinia, sendo gays, negros, gordos ou qualquer oura coisa. Tudo teve seu tempo de sofrimento e essa verdade é relatada nessa história que dou 5 estrelas!


Por enquanto é só galera, até mais!
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Título: As Fúrias Invisíveis do Coração
Autor: John Boyne
Editora: Companhia das Letras
Ano: 2017
Páginas: 535

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