3 belos poemas de Thiago Araújo Rodrigues

Gaiola sem Porta


Se permita Aurora.
Pare de esperar a primavera, procure ela lá fora.
Pare de esperar o mundo que cobre a sua volta.
Voe atrás de um novo lar,
um lugar onde o vento possa te atravessar,
Um lugar onde o sol você possa tocar.
Onde seu canto vai se espalhar.
Onde a natureza irá te abraçar ... Porém, nada mais penetra seus olhos né Aurora ?!
Essa cúpula de ferro não permite que você entenda essa metáfora...

Essas grades são sua dor.
Você morrerá antes de se tocar,
Que a sua gaiola não tem porta.


(Imagem da internet)
Noite Surda


Mas é nessa noite surda,
que a dor bate a porta, com sua beleza exposta.
Queria me esconder, mas nada mais importa.

E a dor entra, vem me caçar, mas não estou mais nesse andar.
Escuto seus paços na escada, ela veio me procurar.
Ela entra, meio torta.
De mãos dadas,
Dormirei com ela entrelaçada, na noite surda.
Que como sempre, não testemunha nada.



(Imagem da internet)

O novo luar.



O céu escuro, as estrelas a brilhar.
Ali viu-se um luar.
A felicidade fazia as ondas quebrarem.
O cantarolar fazia as areias se agitarem.
Ali via a grande mãe dos céus.
Linda como o próprio sol.
Grande como o coração daquele,
Que veio preparado para enfrentá-la.

A lua já descia.
Se agachava atrás do mar como quem dormia.
Sua luz abraçava toda a terra.
E para o pequeno moreno ela observava.
O pequeno homem de grande coração
Que com grande gratidão firmou seus pés no chão.
E disse como se tivesse asas.
"Eu vim desafiá-la"

A lua que já se guardava na borda do infinito.
Guardava-se consigo um coração ferido.
Sangrava por causa do jovem moreno.
No qual o amor era grande pelo simples pequeno.
E disse "Me poupasse de meu descanso e do meu deitar.
Vem me amar ou me machucar"
Então se aquietou de suas palavras.

O ar dançava sobre seus pulmões e o possuía.
Que revisava um coração que ainda batia.
E disse "Não acompanhou meu olhar?
Pois andei sobre a terra e andei sobre o mar.
Subi as terras curvadas e em becos.
Encontrei uma maior que seu luar"

A mãe da noite estava pela metade do seu descansar.
E sobre o grande mar estava a ventar.
A lua cansada e abatida veio a falar
"Maldito é esse, que diz mentiras amargas no meu altar
Pois digo que se algum coração bate é pelo meu ar.
Se o mar balança é pelo meu andar"

O sofrido moreno se pois a chorar.
Sua decadência e desordem humana.
Que agora já não conseguia mais ser ganha.
Se pois a lamentar.
"Pode vós fazer o grande mar andar.
Pode seu ar fazer meu peito palpitar."

Seu coração se deu a brochar.
Enquanto a dura lua começava a regressar.
E o grande dia clarear.
Mais uma vez o recatado moreno se pois a falar.
"Nunca vim a sentir um grande pesar,
Nela, carreguei um sentimento que já mais me vi a encontrar
Uma maneira nova do amor, e também uma maneira nova de amar
Não pois o mar a se agitar, e nem vem a precisar.
Pois se trata do súbito do amar,
É o apocalipse de olhos, e também a arte de criar.
E com certeza é maior que o brilho do seu luar."

O dia se regressou.
Nada mais no horizonte ficou.
O judiado moreno aos becos se deu a retornar.
E agora a lua nunca mais precisou olhar.
Nas aquarelas da vida.
Na qual um coração brilha.
O jovem aventureiro voltou a amar.

(Imagem da internet)


— Thiago Araújo nasceu em Santo André/SP. Atualmente tem 18 anos de idade e é autor do livro ESTAÇÃO que está disponível na plataforma wattpad. Sua escrita conta com elementos da literatura contemporânea exibindo as vezes rimas e até mesmo versos brancos e livres.  


Leia o fascinante livro do poeta em: https://www.wattpad.com/story/137011605-estação


0 comentários: