Augusto dos Anjos, o leitor de Schopenhauer

Augusto dos Anjos, o leitor de Schopenhauer

(Augusto dos Anjos. Imagem da internet)

Augusto dos Anjos! parte dos alunos do ensino médio ouve este nome apenas nas aulas de literatura. Porém, o que mais os professores falam a respeito dele é que: é um poeta pessimista, poeta da morte, um desesperado, autor de palavras difíceis e um escritor que quebrou as regras clássicas do parnasianismo. Claro, o professor que descreve o Augusto dessa forma não está errado — realmente o EU LÍRICO presente nos textos dele é um "melancólico". Mas defini-lo assim é muito pobre para defini-lo.


(Augusto dos Anjos. Imagem da internet)

Augusto tem uma escrita recheada de diversos estilos literários, tais como: parnasianismo, simbolismo e romantismo. É um dos poetas mais conhecidos do Brasil e um dos mais editados.   O que o deixou com este sucesso de atualmente foi a forma única de sua escrita, onde aborda assuntos como morte, falsidade e outros diversos assuntos que chocam os leitores. Ademais, é popular entre jovens, o fato disso se deve ao seu próprio pessimismo e a sua musicalidade.

Foi leitor de Shakespeare, Darwin, Edgar Allan Poe e Schopenhauer. Este ultimo está presente na obra do Poeta. Ele chega a citar de forma direta o filósofo.

(Schopenhauer. Imagem da internet)

"No alheamento da obscura forma humana,
De que, pensando, me desencarcero,
Foi que eu, num grito de emoção, sincero,
Encontrei, afinal, o Meu Nirvana!

Nessa manumissão schopenhaueriana,
Onde a vida do humano aspecto fero
Se desarraiga, eu, feito força, impero
Na imanência da Ideia Soberana!

Destruída a sensação que oriunda fora
Do tacto – ínfima antena aferidora
Destas tegumentárias mãos plebeias -

Gozo o prazer, que os anos não carcomem,
De haver trocado a minha forma de homem
Pela imortalidade das Ideias"

Mais um dos poemas que o Augusto sofre influência do filósofo é o grande "Monologo de uma sombra" que abre o livro com palavras como:
"Sou uma Sombra! Venho de outras eras,
Do cosmopolitismo das moneras...
Pólipo de recônditas reentrâncias,
Larva de caos telúrico, procedo
Da escuridão do cósmico segredo,
Da substância de todas as substâncias!
Nesse texto, a possível referência está na ideia da arte como libertação. Para Schopenhauer, a arte também possui essa natureza de libertar outrem:
Somente a Arte, esculpindo a humana mágoa,

Abranda as rochas rígidas, torna água

Todo o fogo telúrico profundo
E reduz, sem que, entanto, a desintegre,
À condição de uma planície alegre,
A aspereza orográfica do mundo!

(Augusto dos Anjos. Imagem da internet)

Como já dito acima, definir Augusto dos Anjos apenas como "melancólico" ou coisa do tipo, é muito pouco! Ele era um gênio, um 'formidável' poeta brasileiro.

 

Referências:

 








 

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