Entrevista com Beatriz do blog Histórias Ao Vento

Entrevista com Beatriz do blog Histórias Ao Vento


Nascida em 1995 no Rio de Janeiro, Beatriz é uma estudante de educação física e aspirante a escritora. Com mais ideias do que tempo livre, tenta desenvolver um projeto de cada vez enquanto concilia a faculdade, o estágio e o trabalho com revisões e artes ao lado de sua amiga Helena Leen. Como único livro publicado em co-autoria com Helena Leen, por enquanto, O diário de Afrodite está a venda com as autoras. 

A mesma mantém um lindo blog na internet chamado Histórias ao Vento que tem como principal objetivo compartilhar conhecimentos, resenhas e a sua paixão pela literatura.

Contatos:

Facebook: https://www.facebook.com/bia.lopes.anjos

Blog: historiasaoventoha.wixsite.com/historiasaovento

e-mail: beatrizlopesdosanjos@gmail.com

— A Beatriz teve uma entrevista com nossa equipe e falamos sobre temas que tem relação com a literatura e produção de conteúdo na internet. Segue abaixo:

1 - Em um país que contém uma quantidade de leitores muito inferior em relação aos outros países, os 'booktubers' e blogueiros são fundamentais para aumentar a quantidade de amantes pelos livros! Sendo assim, além da intenção de cultivar e divulgar a literatura no blog 'Historias ao vento' qual foi o motivo principal de criar este blog? Como tudo começou?

R - "Na verdade eu criei alguns blogs antes de chegar a esse. Era como uma paixão de criança que adorava ler blogs, já que quando eu cheguei na internet era tudo mato. Eu acabei parando num blog literário por estar me envolvendo muito nesse universo e ter vários projetos de livros. Achei que seria interessante ajudar as pessoas da mesma forma que eu precisei de ajuda assim que comecei a escrever. Pra além disso também entendi que o escritor nacional é muito desvalorizado e que, apesar de já ter lido muitas coisas ruins, existem muitas obras boas esperando por uma oportunidade. Foi aí que eu resolvi criar o blog e não tem sido nada fácil. Principalmente porque antes eu não estava sozinha e era obrigada a esperar por outras pessoas o que acabava me atrasando bastante. Agora que eu só mantive as pessoas que sei que não vão faltar acho que a missão vai ficar mais fácil"



2 - Alguns professores criam blogs para os próprios alunos manterem salvos seus poemas, resenhas de livros, lendas e outros textos! Isso pode ser uma nova maneira de os educadores mostrarem que o mundo da literatura é legal e que, com o site, eles podem, não só praticar a produção textual, mas também interagir com seus leitores. Em sua visão como blogueira e escritora, isto é mais um excelente avanço na sala de aula? Por quê?

R - "Na verdade, não sei se concordo. É verdade que a sociedade está cada vez mais integrada com a sociedade e que explorar isso pode ser um ponto positivo. Quando eu estava na escola a gente não fazia isso, as nossas criações literárias ficavam guardadas nos livretos que a turma fazia (que era basicamente a impressão de todos os textos encadernados). Acaba que o site vira só mais um instrumento de avaliação. Você é obrigado a colocar os seus textos ali, mesmo que você não queira. Não são todas as pessoas que estão preparadas pra mostrar seus textos no mundo virtual e muitas crianças podem acabar sendo criticadas por isso ou por não querer participar e acabar ficando fora da avaliação. Acho, na verdade, que tudo vai depender da forma como essa utilização vai acontecer, mas eu acho que não utilizaria desse artifício com alunos que fossem meus."

3 - Para você; Além de conhecimento básico de língua portuguesa, o que mais um blogueiro precisa para criar um blog e começar a escrever sobre livros?

R - "Na verdade, na minha opinião, o blogueiro nem precisa de domínio da língua portuguesa. O item essencial pra qualquer blogueiro de qualquer segmento é querer ter um blog. Eu já fui aquele tipo de pessoa que criticava a escrita errada e não lia ou não dava atenção quando o texto vinha coberto de erros ou o blog não era bonitinho, todo personalizado e esteticamente bonito.

Hoje em dia eu vejo o erro que eu cometi. Existe muita gente com ideias magníficas e pouco acesso a informação e estudo, assim como existem aquelas pessoas que não conseguem se prender a regras de gramática pra escrever. E é pra isso que temos revisores. O principal num blog não é o português perfeito e o layout enfeitado. O principal de um blog é o amor pelo que se faz, a vontade de continuar fazendo e um conteúdo adequado a proposta do blog."

4 - Você e sua equipe já produziram algumas antologias de poemas. Isso possibilita que os autores conheçam outros e também que os leitores os conheçam. Além Destes benefícios, vocês pretendem produzir mais antologias ou coisas relacionadas?

R - "A minha ideia inicial era uma antologia por mês, mas achar poetas é mais complicado do que parece. E nem sempre eles se identificam com o tema proposto. Mas, há a intenção de continuar com as antologias tanto de conto quanto de poemas. Talvez um pouco mais pra frente e em outro esquema, mas estaremos lançando mais antologias sim."
5 – Ainda voltando a falar sobre antologias, as mesmas foram publicadas na plataforma wattpad; por que escolheu esta plataforma para publicar os textos reunidos dos autores?

R - "Bom, é uma plataforma acessível e que não precisa de nenhum investimento. Optei por plataformas gratuitas pois seria inviável remunerar todos os participantes pela venda dos exemplares mesmo que fosse pela amazon. Preferi o wattpad por já termos uma conta do blog criada."

6 – Ler a obra completa, pesquisar sobre o autor, encontrar imagens do livro, pensar em uma boa introdução... Estes são alguns dos passos para produzir uma boa resenha sobre uma obra. Contudo, muitas pessoas acham que é ‘simples’ falar sobre um livro. Fale aqui um pouco como é seu processo de escrita sobre os livros e explique se realmente é “simples” como dizem.

R - "Bom, eu acho simples. Eu pego um livro que eu já li ou gastaria de ler e leio prestando atenção aos detalhes do livro. Sublinho citações interessantes e anoto algumas coisas. Depois eu só tiro uma foto ou procuro uma na internet e escrevo sobre o que eu li.

Obviamente, minha opinião não é universal e nem a mais correta possível, é apenas a minha opinião de leitora."

7 – Mais que novas amizades e críticas positivas: quais foram as melhores coisas que o seu blog lhe trouxe?

R - "Na verdade, a melhor coisa que o blog me trouxe foram as amizades e o crescimento na escrita. Tudo o que eu faço ou escrevo é uma pesquisa constante e conheci muita gente nesse processo."

8 – Claro que o blogueiro deve estar ligado na cultura do seu país (principalmente do seu estado), e há vezes que descobrem escritores e outros artistas que não mais é lembrado (como o Carlos dias Fernandes de Mamanguape-Pb). Neste caso, você acha que o blogueiro tem o papel de ao menos tentar resgatar os escritos destes autores por meio de artigos falando de suas obras e um pouco de sua biografia?

R - "Na verdade eu me preocupo com os escritores mais novos. Clássicos são legais pra quem gosta deles, mas eles já tem seu público consolidado e são reconhecidos por suas obras. Eu me preocupo mais em descobrir escritores iniciantes que escrevem bem e tem boas obras. São essas as pessoas que tem a minha prioridade."

9 – ‘Bloggar’ já é considerado trabalho para muitos. E além de te dar gratificação, você encara este ato um trabalho? 
R - "No dia que eu encarar o blog como trabalho vou parar de escrever. Eu não quero ter a obrigação DE escrever no blog. Quero ter a sensação gratificante de ter feito algo que eu gosto. Eu cumpro os prazos que eu tenho que cumprir mas não significa que seja um trabalho. É um passatempo." 


10 – Temos um vício aqui da Equipe Paixão Melancólica de perguntar a definição de ‘cultura’ para os entrevistados! Então este momento é seu: O que é cultura para você?

"Eu gosto de dizer que cultura é uma representação social individual ou de um determinado grupo. É frustrante pra mim alguém dizer que a cultura do brasil é assim ou assado. A cultura do norte e do sul são diferentes apesar de estarem num mesmo país. Eu acho cultura um conceito muito instável pra ser respondido sem ser dentro de um debate (risos).


AGRADECIMENTOS



— Somos gratos pela excelente entrevista contigo! Obrigado, Beatriz. Tudo de melhor sempre e que nunca falte este grande talento. 

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