Robson Silva - Estudante de letras e poeta nato! - Entrevista




"Ouvem-se as folhas secas sendo arrastadas pelo vento.

                                        Vento seco.
Terra seca.
                        Vidas secas.

Todos destinados ao pó.
                                 Só.

Sou sertanejo, vivo cercado pelas sombras.
No interior da memória: saudade!
No exterior do corpo: marcas!

Saudade do pé d’água,
Do verde no quintal!
Daquele cheiro de vida,
Florescendo!

O suor deslizando nas cicatrizes do corpo.
Água, água, água.
Em meio a essa pequena enchente
De joelhos gotas ao chão...

Recordações imersas ao silêncio!"

"Carioca, nascido na cidade do Rio de Janeiro em 29/01/1995, mudou-se para Mamanguape - PB aos 03 anos de idade, cidade onde reside atualmente. É graduando em Letras – Língua Portuguesa pela UFPB- Campus IV, e atualmente é bolsista PIBIC/CNPq/UFPB. Sua pesquisa que pertence ao projeto “MODERNISMO(S) BRASILEIRO(S) NO NORDESTE: UM OLHAR REVISIONISTA ATRAVÉS DAS ESCRITAS AUTOBIOGRÁFICAS” foi premiado no “XXV Encontro de Iniciação Científica” realizado na UFPB, e também recebeu o certificado de “Honra ao mérito” oferecido pelo CCAE – UFPB – Campus IV. 



Sua área de pesquisa é voltada a poesia moderna, em especial, ao poeta pernambucano Joaquim Cardozo, poeta este que passou alguns dias trabalhando no Vale do Mamanguape, e produziu algumas obras que dedicou, por exemplo, a algumas cidades como “Baia da Traição”, “Mamanguape” e algumas localidades como “Tramataia”. Atualmente não possui nenhuma obra publicada em livro impresso, no entanto, ele possui uma página no “FACEBOOK” que é de domínio público, possuindo um lugar de divulgação de algumas poesias e contos. Seu envolvimento com a escrita iniciou-se aos 13 anos de idade quando ganhou o seu primeiro livro na escola, assim despertando seu desejo pelo mundo literário. Alguns dos seus poemas não divulgados estão a espera para serem publicados. Atualmente está engajado na escrita do seu primeiro livro, no qual está em fase de desenvolvimento."

 O poeta e estudante teve uma pequena entrevista com a gente do site! Segue abaixo.


1 - O vale (Mamanguape e Rio Tinto) está cada vez se mostrando na cultura por meio de novos talentos na literatura como: Neyvile Lucas, Anderson Costa, Izabelle e recentemente você que está mostrando a poesia no mundo. 

Com isto, daqui a alguns anos a literatura em Mamanguape pode aumentar se tivermos uma maior quantidade de autores e leitores! E para que isso aconteça, além das escolas que podem mostrar um bom incentivo à leitura e também os pais que podem ler livros para crianças/adolescentes, o que mais podemos fazer para alcançar um número maior de leitores nesta região? (Em sua visão)

R - "Primeiramente me sinto bastante feliz em ver o cenário literário do nosso Vale crescendo tanto. Neyvile, Anderson e Izabelle são hoje grandes nomes da nossa literatura, e que tanto inspira os novos escritores! Sem dúvidas a cada dia iremos conhecer mais escritores, e, como conseguinte, aumentar o número de leitores que buscam conhecer os autores locais. 
Fui professor por alguns anos em uma escola pública de Mamanguape-PB,  e pude presenciar de perto o prazer que alguns jovens têm pela leitura. Sempre que possível eu levava uma poesia de algum escritor paraibano para sala de aula, e observava o orgulho que eles têm ao saberem que o poeta morava em sua cidade ou até mesmo em cidades próximas. É exatamente neste ponto que devemos observar com cautela: nossos jovens/alunos pouco conhecem sobre os escritores locais, e isto é preocupante! Divulgar nossos escritores é isto que nosso Vale precisa!   Para isto, acredito que será necessária a união, acima de tudo, de nós (escritores locais) para tornar nossa literatura acessível a todos. Uma roda de leitura em locais públicos, discussões sobre determinado livro, visitas as escolas etc. Todas estas questões contribuem para o desenvolvimento da nossa literatura, que está a cada dia crescendo e ganhando mais espaço." 
  
2 - Sua pagina no Facebook tem um impacto social que visa mostrar um excelente conteúdo sobre a poesia! Fala mais sobre ela aqui. 

R - "O objetivo da página é divulgar um pouco sobre a poesia em geral. Gosto de ler e escrever poemas, e fico feliz em saber que alguém está lendo algo que eu postei. Vários comentários chegaram até mim ao longo desses anos que tenho a página, e sempre me recordo de uma jovem (16 anos) que veio me agradecer pelo poema que havia postado intitulado de “Liberdade”, que para ela mudou completamente o seu dia. Ora, comentários assim só fortalecem meu desejo de continuar divulgando." 


(Página: Carpe diem, Robson. https://goo.gl/2aQhvk)


3 - Seus poemas plenamente são modernos! E você tem um enorme afeto pelo modernismo, chegando até mesmo a ser fã e estudar poetas como: Fernando Pessoa, Drummond e Joaquim Cardozo. Pode nos contar um pouco como começou este amor por este período da literatura?  

R - "Sempre me interessei pelas obras que se inserem no modernismo, e atualmente continuo trabalhando como pesquisador bolsista do PIBIC/CNPq com poetas deste período literário. Existe nestes poetas uma liberdade de criação que me inspira. Drummond, Cardozo, Pessoa ... e tanto outros nomes presentes na poesia são grandes exemplos e, sem dúvidas, inspiração para jovens escritores."

4 - Alguns de seus textos relatam a vida no sertão, a natureza e o seu povo! Alguns poetas e artistas como: Patativa do Assaré, Rapadura e Ariano Suassuna fez/faz o mesmo de você. Deste jeito, qual a importância e o que te leva a cultivar todos os costumes do povo nordestino? 

R - "Tenho orgulho do Nordeste e do seu povo! Meus poemas muitas vezes são temáticas sobre o sertão nordestino, lugar onde necessita de uma atenção maior das pessoas. Tento passar para meus leitores um cuidado referente aos detalhes que, muitas vezes, passam despercebidos aos olhos de quem não vive em locais precários de coisas básicas para sobrevivência, como, por exemplo, água potável.

Gosto de apresentar também um outro lado do nordeste, que neste caso só faz encantar o leitor. Tem um poema do poeta pernambucano Joaquim Cardozo que sempre chamou a minha atenção: “O meu canto é de sol”, por apresentar o orgulho do nordestino por seu lugar: 

O meu canto é de sol...
É de verão florido 
Os jardins tropicais:
De túnicas vermelhas
Flamboyants cardeais! 

O meu canto é de sol...
É de manhã nascente 
Em profuso verão 
- Púrpuras de jambeiros 
Atiradas no chão!

É de sol, é de sal
Desse mar nordestino 
Suas cores abrindo
Como um pavão!

O meu canto é de sol! 

(CARDOZO, Joaquim. 2008, p. 195-196)

Joaquim Cardozo representa bem uma geração que gosta de demonstrar os valores naturais do nordeste brasileiro e, neste poema, não podemos deixar de destacar essa ressalta de valores. O eu lírico presente neste poema confessa seu amor e admiração por sua região, e é nesta perspectiva que sigo em meus poemas! Sem dúvidas, Cardozo é uma fonte de inspiração em meus singelos versos."

5 - Atualmente estuda Letras na Ufpb! Sabemos que não foi fácil chegar até a Universidade, no entanto você nunca desistiu deste sonho. Destarte, o que tem a falar para os novos jovens que também estão a querer cursar letras? 


(Ufpb. Mamanguape)

R - "Meu sonho sempre foi ser professor! Fui desde criança um amante da literatura, e hoje vejo a possibilidade de repassar este amor para meus alunos, e isto é o que me motiva! Não é fácil entrar em uma graduação, no entanto é mais difícil ainda continuar no curso. Problemas sempre surgem, dificuldades também, mas se é o seu sonho torna-se uma tarefa gratificante! 

O curso de Letras – Língua Portuguesa oferecido pela UFPB - Campus IV possui docentes qualificados e dispostos a passar um ensino de qualidade. Sinto-me orgulhoso por fazer parte desta família. A grade curricular oferece-nos disciplinas importantes para nossa formação, e principalmente para os amantes da literatura, como, por exemplo: Literatura Paraibana, Literaturas de tradição Oral, Literatura Portuguesa, Literatura Brasileira, e várias outras que transformam nossa vida acadêmica. Se você sonha em cursar Letras nosso Campus oferece um excelente curso!"

6 - Na mesma UFPB (de Mamanguape) já realizaram diversos projetos e eventos envolvendo literatura. Como aluno, você pode nos contar como funciona e qual é a principal intenção destes movimentos?  

R - "Esses eventos são de extrema importância para formação dos alunos de Letras – Língua Portuguesa, tanto por fazê-los interagir de maneira mais ativa com a literatura e com o ambiente acadêmico, como também por ser um fator determinante para o aprofundamento de questões relevantes referentes a alguns pontos específicos presentes nos eventos. 


(Evento I ELLIN-PB. Robson e amigos com o escritor Rildo Cosson)

Na UFPB Campus IV possui excelentes encontros que envolvem a literatura, além disso, atualmente possui alguns grupos de pesquisa ativos na área, como também rodas de leitura sobre determinada obra ou autor. Isto só reforça a preocupação que o Curso possui sobre gerar discussões referentes à literatura. Geralmente são eventos destinados aos alunos do Campus, no entanto, muitos são abertos para qualquer pessoa que se interessar pela temática do evento."

7 - O gosto pela literatura vem sempre de forma natural. Todo mundo começou a amar os livros por causa de algum livro específico, mas nem todas as escolas pensam assim e obrigam os alunos a lerem clássicos como Dom Casmurro e Memória Póstuma! Assim deixando o aluno enjoado, pois nem todos amam a narrativa do Machado de Assis por conter uma linguagem mais formal. 
As escolas fazendo desta forma divulgam mais o trabalho de grandes escritores, porém também podem deixar a literatura 'enjoada' para muitos. Concorda? Por quê? Como futuro professor de literatura: o que você faria para deixar os alunos mais engajados nos livros? 

R - "Tratar sobre isto é delicado, Danilo! Veja bem, Machado de Assis é sem dúvidas um dos nossos maiores autores, e levar suas obras para sala de aula é essencial. Muito se ouve, por parte dos alunos, que seus livros são difíceis por possuir uma linguagem não acessível. Pois bem, é aí que deve entrar o professor responsável, afinal, estamos em sala de aula para isto! Antes de levar qualquer obra para sala de aula, faz-se necessário um momento de preparação. Talvez, antes de levar Dom Casmurro para ser trabalhado, seria interessante apresentar primeiro os seus contos, ou, até mesmo, instigá-los a buscar compreender algum aspecto presente.  Cada professor sabe a melhor maneira de ensinar seus alunos, no entanto sinto falta, por parte de alguns docentes, o amor pela literatura. Se nem o professor de literatura ler Machado de Assis, por exemplo, como seus alunos irão gostar? Esta é a indagação que deixo, os alunos se inspiram em seus mestres, tenho certeza que se o professor levar um cânone com um olhar apaixonado pela obra, sem dúvidas os alunos se sentirão instigados." 

8 - Qual seu poeta favorito? Por que ele se tornou tão importante para você? 

R - "Como mencionei em uma pergunta anterior, tenho uma admiração maior pelos poetas do modernismo. Chega a ser difícil escolher apenas um, no entanto, Joaquim Cardozo tornou-se um poeta que chama a minha atenção em tudo. Minha admiração começou depois que fui apresentado por minha professora e orientadora Drª Elaine Cintra a sua poesia, pelo qual me encanta até hoje. Sou grato a ela, acima de tudo.  Tenho um olhar de leitor e pesquisador em suas obras."




9 - Se a maioria dos poetas escrevem versos quando estão com algum questionamento de algo, por exemplo: "O que é o amor?", então a filosofia e o poema andam juntos, né? Como é isso na visão de um poeta como você?

R - "A filosofia e a literatura possuem uma semelhança inegável, pois necessitam, acima de tudo, da presença de um discurso. O discurso filosófico é mais centrado nos conceitos, já o discurso literário requer mais a imaginação, imagens... Enfim, não sou um especialista sobre o assunto, mas entendo que ambas possuem sua relação incontestável."

10 - Gostamos de perguntar, aos artistas, qual é a definição de cultura na visão do mesmo! Então: Robson, qual sua definição de cultura?


R - "Fico bastante feliz por seu interesse nesta pergunta, pois a cultura é acima de tudo a identidade de um povo. Quando penso em cultura me vem em mente meu lugar, meu passado e meu povo! Muito se têm perdido sobre nossos traços culturais, e neste ponto que entra a literatura! Ela consegue registrar cada detalhe presente em uma comunidade, seja referente aos costumes locais, como também a cultura indígena que tanto tem a nos ensinar. Lembro-me que paguei uma disciplina chamada de “Literaturas de Tradição Oral”, e muito me surpreendeu sobre a presença da identidade de um povo por meio da sua cultura. Somos nordestinos e temos nossa própria cultura, como as outras regiões do país também possuem as suas, e é isto que reafirma quem somos." 



— A equipe Paixão Melancólica agradece ao poeta Robson pela excelente entrevista. Desejamos tudo de melhor sempre e que nunca falte a criatividade incrível do mesmo. 

12 comentários:

  1. Orgulhosa desse meu amigo e seu amor pela literatura!
    Linda entrevista, parabéns pelo projeto/poesias,contos.❤

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    1. Olá. Agradecemos pelo comentário!

      Equipe: Paixão Melancólica

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  2. Arrasou, poeta! Está de parabéns. 👏

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    1. Olá. Agradecemos pelo comentário!

      Equipe: Paixão Melancólica

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  3. Parabéns pela entrevista, a qual se mostra bastante colabolativa para o espaço literário em nosso vale.

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  4. Respostas
    1. Agradecemos pelo comentário!

      Equipe: Paixão Melancólica

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