RESENHA - A Cidade do Sol


Com mais de 50 anos de vida e diversas histórias contadas, Khaled Housseini conseguiu ter um nome e espaço na estante de milhões de pessoas ao redor do mundo. Com um jeito único de escrever e contar com precisão fatos históricos sobre o Afeganistão e lugares ao redor, ele consegue fazer o autor mergulhar numa história fictícia e real ao mesmo tempo. E em A Cidade do Sol isso não é diferente


"De todas as dificuldades que uma pessoa tem de enfrentar, a mais sofrida é, sem dúvida, o simples ato de esperar"


É impossível falar de Khaled Housseini sem lembrar de O Caçador de Pipas, seu livro mais notório que foi também adaptado para os cinemas. Todas as suas histórias tem algo em comum, a guerra e Cabul! Em O Caçador de Pipas, temos a visão de crianças que cresceram na guerra, sobre como eram antes, durante e depois de toda uma destruição. Já em O Silêncio das Montanhas nós temos a visão do quão grave é a consequência da guerra, do quanto ela pode influenciar nas decisões e na vida das pessoas para sempre. E agora em A Cidade do Sol, podemos ver a falta de liberdade e expressão que as mulheres tinham (Tem) no Afeganistão.


"Assim como uma bússola precisa apontar para o norte, assim também o dedo acusador de um homem sempre encontra uma mulher à sua frente."


Protagonizado por 2 mulheres, A Cidade do Sol explora ferozmente toda e qualquer incapacidade aplicada às mulheres da região. Sendo obrigadas a se casarem com homens repugnantes, por suas famílias e também obrigadas pela fome e o desespero à se casarem ainda muito novas com tais homens. Nesse livro vemos dois extremos de vivência através das duas mulheres, mas um mesmo destino final traçado pela guerra. Ver a desilusão nos olhos de uma garotinha após dormir uma noite na rua no portão da casa do pai, após a mãe morrer é algo que mexe com a mente de qualquer um. Depois somos apresentados à uma garotinha sonhadora, de boa casa e um futuro promissor que graças a guerra tudo muda, tanto de uma quanto da outra e ambas são traçadas num mesmo destino com um final surpreendente.

A Cidade do Sol retrata a solidão de maneira simples e grandiosa. Após a leitura ele nos deixa a reflexão da liberdade de escolha e expressão que temos em nosso país. Infelizmente as coisas no Afeganistão ainda não mudaram muito em comparação a essa história, e na verdade de toda a história do Khaled Housseini. Algo curioso sobre essa história é relatado quase no final. Para quem leu O Caçador de Pipas, sabe que no final quando o protagonista vai atrás do sobrinho ele entra num campo de futebol e vê uma mulher considerada adúltera ser apedrejada e logo depois vemos um orfanato. (Alerta de Spoiler) Em A Cidade do Sol descobrimos quem era essa mulher que foi apedrejada nesse campo de futebol e um dos filhos de uma das protagonistas é colocado no mesmo orfanato, antes da guerra culminar no país. Khaled tem um dom único e grandioso, em o Caçador de Pipas ele nos mostra algo e nos faz gerar um pensamento que logo é massacrado e também aumentado em A Cidade do Sol. Khaled Housseini faz qualquer um ler e engolir em seco a dura e cruel realidade de nossos irmãos.



Só há uma coisa na vida que precisamos aprender, e nnguém ensina isso nas escolas. A capacidade de suprtar.



Por enquanto é só galera, até mais!

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Título: A Cidade do Sol

Autor: Khaled Housseini

Editora: Hapercollins

Ano: 2007

Páginas: 368

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