Sanguessuga - Poema - Gustavo Valério

Sanguessuga - Poema - Gustavo Valério

Como sanguessuga, lentamente sugas
o meu eu sem fugas; secas-me por dentro
e sem hemocentro, teu querer subjuga
o meu, sem ajuda. Assim desconcentro,

sem forças descentro enquanto meu leite
finda teu deleite e tu choramingas.
Cometes mandingas; não queres desleite
embora suspeites em tuas rezingas.

E nas caatingas abandonar-te-ei;
sozinha seguirei em busca de vigor.
Ouvirei teu clamor e ignorá-lo-ei
e só retornarei quando fores amor.

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