Autor Mamanguapense Neyvile Lucas | Entrevista

Autor Mamanguapense Neyvile Lucas | Entrevista

    

"Neyvile Lucas nasceu no Brasil, em João Pessoa, no estado da Paraíba, no ano de 2000. Atualmente, vive na cidade de Mamanguape com seus pais e sua irmã caçula. Filho de uma professora e um radialista, sempre foi apaixonado por leitura e, quando criança, costumava escrever suas próprias versões de algumas histórias conhecidas da Mitologia Grega, como é o caso de Édipo Rei, do escritor Sófocles, e a tão conhecida história de Dédalo e Ícaro."

Segue abaixo a entrevista/bate-papo com o autor Mamanguapense. 

1 - Neyvile, ser um dos principais representantes da literatura contemporânea em nosso vale (Mamanguape)... Te faz ainda mais ser dedicado à escrita e amar o que produz? Como é isso?


R: "Sem dúvidas! Há uma certa pressão vinda dos leitores que, longe de ser algo ruim, me motiva e, consequentemente, faz com que eu me dedique cada vez mais. Já sobre o amor, ele existe desde o primeiro pensamento em escrever Mar Noturno, o que aconteceu lá em 2013. Amo meus personagens, amo minhas histórias, amo tudo que escrevo e, principalmente, amo representar a literatura na nossa região, mas se sou um dos principais representantes eu já não sei hahaha."

2 - O romancista Neyvile Lucas também é poeta? Já produziu poemas ou só romances?...

R: "Já produzi dois poemas que nunca foram de fato divulgados, apenas postados no meu status do WhatsApp, mas não me considero verdadeiramente um poeta. Poetas escrevem da maneira que um pintor traça o pincel pela tela: de forma suave, mas segura, traçando e pintando delicadamente, até surgir a obra prima (e disso você entende muito bem!), já eu não tenho essa facilidade com a poesia, foram apenas momentos de inspirações súbitas hahaha. Mas quem sabe o Paixão Melancólica não publique, de primeira mão, um dos poemas."


3 - Tivemos grandes nomes da literatura Mamanguapense como: Carlos Dias Fernandes e Nísia Nobrega. E você foi um dos pioneiros da literatura nova neste Vale. E atualmente está surgindo outros romancistas e poetas em nossa região.

Com esta quantidade recente de escritores, você acha que a literatura do vale irá ser ainda mais desenvolvida se tivermos mais incentivos nas escolas? Se chamarem estes autores para apresentar seus trabalhos nestes colégios e espaços culturais? Qual sua visão sobre o futuro literário no Vale Mamanguape?


R: "Não há qualquer dúvida com relação a isso! Mamanguape foi, desde sempre, como você citou, o berço de grandes nomes da literatura. A escrita está no sangue do povo Mamanguapense, precisa apenas de um empurrão para ser desenvolvida e se aflorar, e creio que esse empurrão deva vir das escolas.Todo o trajeto de Mar Noturno, desde a criação até a publicação, foi feito enquanto eu ainda estava na escola, então posso garantir que existe um peso muito grande! Os professores, diretores e até mesmo colegas de turma podem nos motivar ou nos desmotivar com palavras e atitudes, então o que eu concluo é que as escolas devem não apenas promover palestras e eventos para divulgar a literatura, mas também para conscientizar a todos que qualquer um pode se tornar um gênio das letras, mas para isso precisam do nosso apoio. Particularmente, ninguém acreditava em mim quando eu estava escrevendo o primeiro livro; não desisti porque sou persistente, mas temo que isso possa fazer com que alguém desista do seu sonho. E um sonho perdido é algo muito, muito doloroso!A literatura está em crescimento exponencial por todo o Vale do Mamanguape, e vejo que a tendência é apenas aumentar, se a população, de um modo geral, souber zelar pelo tesouro que tem. Tenho nossa região como uma grande promessa para a Literatura Nacional."

4 - E os novos livros? Como anda o processo de escrita?


R: "Confesso que dei uma pausa na criação para me dedicar a alguns outros assuntos pendentes. Mas ainda este ano (espero) sairá o segundo volume da Trilogia Potestates. O livro se chama Verdade Iminente e será lançado pela Constelação Editorial, que também fará o lançamento da segunda edição de Sangue Traído! O terceiro e último livro da trilogia tem previsão para o ano que vem, se tudo ocorrer bem."

5 - Sabemos que a maior dificuldade do autor é encontrar uma editora em que possa confiar e abraçar como sua casa.

Com duas obras publicadas, conte-nos como é seu processo em achar as editoras para editar seus livros...


R: "Já fechei contrato com três editoras diferentes, além da autopublicação pelo CDA, então tenho uma certa experiência do assunto. Não existe ferramenta mais eficiente do que a pesquisa! Muitos autores iniciantes acham que a editora vai cair do céu, e não é bem assim. Sempre começo pesquisando editoras e avaliando sua linha de publicação, para saber se tem a ver com minha história. Se a editora passar nesse primeiro filtro, pesquiso a reputação da empresa para evitar que aconteçam problemas (que, infelizmente, já aconteceram), só depois entro em contato com a editora para últimos detalhes para, finalmente, enviar o Original e aguardar uma resposta."

6 - Sabemos que a pergunta é clichê, mas queremos saber sua resposta: Neyvile, por que você escreve?

R: "Creio que cada um tem uma maneira de exteriorizar o que acontece em sua mente. A minha é a escrita; quando escrevo, exponho ali o que tenho de mais íntimo, que são meus pensamentos. Hoje outro fator que me influencia muito são os comentários positivos e a vontade dos leitores de lerem mais e mais! Basicamente, escrevo para me sentir bem comigo mesmo e para fazer meus leitores se sentirem bem (mesmo que na história sempre tenha uma ou outra cena bad hahahaha)."

7 - Você lê desde criança! Isso é fato. Durante este tempo todo, qual foi as 3 obras que mais te encantaram?


R: "Pergunta difícil! Mas vamos lá... Não necessariamente em ordem:Quem mexeu no meu queijo?, de Spencer Johnson. Foi o primeiro livro não infantil que eu li, e me marcou muito, pois tem uma narrativa extremamente simples, mas uma mensagem extremamente poderosa.Toda a série Harry Potter, pois, além de ser a obra que me motivou a escrever, também me ensinou coisas que levarei eternamente comigo. Sou Potterhead declarado, e amo de coração essa série!A Ilha Perdida (Coleção Vagalume), de Maria José Dupre. Acho que o que me marcou nesse livro foi o momento em que eu o li. Eu estava com sede de leitura e não tinha mais livros em casa, porque eu estava esperando os que eu tinha comprado chegarem. Por coincidência, meu pai encontrou esse livro no meio das coisas dele e me deu. E eu simplesmente me APAIXONEI! É um livro infantil, mas há um certo mistério no ar que me captou instantaneamente."

8 - As vezes os escritores não confiam em si mesmo. E guardam suas obras na gaveta perante muito tempo. Porém você confiou em você duas vezes e publicou 2 livros esbeltos!

Assim sendo, o que você tem a dizer para esta geração que escreve, sonha em publicar, mas acaba deixando o medo dominar tudo e não publica nada?

R:  "Acho que é normal sentir medo no primeiro livro, a questão é até onde podemos deixar que esse medo nos domine. Além disso, muitos autores têm um pensamento meio utópico sobre como funciona o Mercado Literário Brasileiro. São muitas dificuldades que um autor passa para ser publicado, e isso desmotiva muitos. Juntando esses dois problemas, medo e desmotivação, temos como resultado milhares de histórias maravilhosas que estão cobertas de teias de aranha. Então o que eu tenho a dizer para os autores que se encontram nessas situações é o seguinte:Eu não sei o que você escreveu. Não será algo que todo mundo vai gostar, porque isso é humanamente impossível, mas alguém, em algum lugar, vai achar sua história maravilhosa! Talvez até mesmo mais do que você a considere. Essa pessoa, seja de onde for, fará valer a penas tudo que você passou para chegar até a publicação, seja por editora ou por conta própria, e fará você perceber que seu medo, no final, foi vencido pelo amor que você pôs quando escreveu e pelo amor que o leitor sentiu quando leu. Coragem, levante a cabeça, abra a gaveta e ponha esse Original para frente. Você poderá mudar uma vida com ele, mesmo que, para você, seja apenas uma besteirinha que saiu da sua cabeça."

9 - Ah! Você também tem um blog. Queremos conhecê-lo melhor. Fale um pouco sobre ele aqui.


R: "Sim! No meu blog posto novidades sobre meus livros (embora esteja um pouco desatualizado por falta de tempo), além de ter tudo que precisam saber sobre mim e sobre meu trabalho. Além disso, tem uma área destinada exclusivamente para que as pessoas desabafem sobre qualquer coisa que estiverem passando, sem medo de serem julgadas, independentemente do que seja. Para os interessados, o endereço é: www.neyvilelucas.blog."


10 - Neyvile Lucas, qual sua definição de cultura?

R: "Para mim, cultura é a preservação do passado, dos amores e da história de um povo. Resumindo, é a própria identidade de uma população."

Agradecemos pela entrevista e por estar sempre dedicado com a nossa literatura do Vale! Sucesso e dedicação sempre, pois sorte não precisa. 


3 comentários :

  1. "Poetas escrevem da maneira que um pintor traça o pincel pela tela: de forma suave, mas segura, traçando e pintando delicadamente, até surgir a obra prima"

    E ele não é poeta em kkkkkk. Massa demais a entrevista ❤

    ResponderExcluir