Poetas e o vegetarianismo

Poetas e o vegetarianismo

Que diversos pensadores adotaram/adotam o vegetarianismo como uma filosofia de vida ninguém nega. E entre grandes gênios protetores dos animais podemos destacar: Leonardo da Vince, Nikola Tesla, Pitágoras e outros grandes da história, física e filosofia. 

Também podemos destacar alguns poetas que viam os animais como 'irmãos' do Humano. Com isso, nesta breve matéria iremos listar nossos gênios da poesia que tiveram sua contribuição na proteção dos 'nossos amigos da natureza'.

Carlos Augusto Furtado de Mendonça Dias Fernandes 


Nasceu em 20.09.1874 na cidade de Mamanguape-PB. Foi jornalista, pedagogo, poeta, romancista e claramente fez parte do movimento Simbolista da literatura (nacional) brasileira (O que o fez conhecer e trocar pensamentos com Cruz e Souza). O escritor era completamente defensor dos animais; publicou diversos artigos sobre o tema o que revela que era plenamente vegetariano.  

 
"Porém, foi a própria literatura que conduziu Carlos Dias Fernandes ao vegetarianismo. Ele deixou de consumir alimentos de origem animal depois de ler Liev Tolstói, Lord Byron e Jean-Jacques Rousseau. Conforme Amanda Galvíncio, Fernandes citava com frequência pensadores como Sócrates, Hipócrates e Plutarco, além do Buda e Jesus Cristo, principalmente em suas palestras."

George Gordon Byron


 (Lord Byron in Albanian dress)

Grande nome do período romantismo na literatura mundial. Byron nasceu em 22 de janeiro de1788 em Londres, Inglaterra e morreu em 19 de abril de 1824 (36 anos) Missolonghi. Dos seus mais aclamados e brilhantes trabalhos, destacam-se Don Juan e A Peregrinação de Childe Harold.

"Lord Byron foi vegetariano por muito tempo e o mais intrigante é que o poeta John Polidori escreveu uma obra prosaica chamada The Vampyre, inspirada em alguns dias que ele conviveu com Byron e o casal Shelley na Suíça. E mais tarde, a história de Polidori inspirou Bram Stoker a escrever Dracula. Muita gente crê que Drácula é um personagem baseado em pesquisas sobre
o conde Vlad Tepes, mas na realidade o início de tudo foi a inspiração que veio através de Byron. Sendo assim, o Drácula foi inspirado em um vegetariano." (Lord Byron e a abstinência da carne. Disponivel em: David Arioch – Jornalismo Cultural)



José Rodrigues Leite e Oiticica
  Foi professor, filólogo e poeta brasileiro. Nasceu em 2 de julho de 1882 Oliveira, Minas Gerais e morreu em 30 de junho de 1957 (74 anos) Rio de Janeiro.


"Ingressou nos cursos universitários de Direito e Medicina, mas não os concluiu se aproximando gradualmente da área da Filologia. Sua obra poética que se iniciou com o lançamento do livreto Sonetos em 1911 seria complementada quatro anos mais tarde em 1915 com o livro Ode ao sol." Wikipedia.

Tinha uma forma delicado de escrita e seus poemas têm estilo parnasianos, parecendo, as vezes, com os simbolistas. Também é interessante afirmar que o poeta defendia os animais.

Oiticica já era vegetariano em 1912, e desde então assumiu a posição de conciliar sua ideologia política com a defesa do vegetarianismo. De acordo com Neves, ele abandonou o curso de medicina quando conheceu livros sobre evolucionistas e naturalistas que qualificavam a alimentação como a melhor forma de prevenção e combate às doenças. (José Oiticica definia o
consumo de carne como um vício social. David Arioch – Jornalismo Cultural)



Augusto de Carvalho Rodrigues dos Anjos
 
É um dos maiores poetas da literatura brasileira, paraibano e dispensa apresentações. Não se sabe definitivamente o que o Augusto dos Anjos se alimentava, porém é interessante afirmar que em sua única obra publicada (o Eu) há poemas que nos coloca em visão de um vegetarianismo presente na ideia do eu lírico nos versos do autor paraibano. E uma das poesias que ilustra isso muito bem é o soneto "A um carneiro morto".



Misericordiosíssimo carneiro
Esquartejado, a maldição de Pio
Décimo caia em teu algoz sombrio
E em todo aquele que for seu herdeiro!

Maldito seja o mercador vadio
Que te vender as carnes por dinheiro,
Pois, tua lã aquece o mundo inteiro
E guarda as carnes dos que estão com frio!

Quando a faca rangeu no teu pescoço,
Ao monstro que espremeu teu sangue grosso
Teus olhos — fontes de perdão — perdoaram!

Oh! tu que no Perdão eu simbolizo,
Se fosses Deus, no Dia do Juízo,
Talvez perdoasses os que te mataram!

(Eu, 1912)

Além deste poema que apresenta uma triste morte de um carneiro inocente, há outro soneto do poeta chamado "À mesa" que ainda mais nos mostra uma consciência dolorosa do eu lírico perante o consumo de carne.

Cedo à sofreguidão do estômago. É a hora
De comer. Coisa hedionda! Corro. E agora,
Antegozando a ensanguentada presa,

Rodeado pelas moscas repugnantes,
Para comer meus próprios semelhantes
Eis-me sentado à mesa!

Como porções de carne morta… Ai! Como
Os que, como eu, têm carne, com este assomo
Que a espécie humana em comer carne tem!…
Como! E pois que a razão me não reprime,
Possa a terra vingar-se do meu crime
Comendo-me também.

(Eu, 1912)



William Blake



Nasceu em 28 de novembro de 1757 e morreu em Londres, 12 de agosto de 1827. Foi pintor, tipógrafo e poeta pré-romantico. "William dedicou boa parte de sua infância à leitura e ao desenho. Ao completar dez anos ele entrou em uma escola de desenho e passou a produzir estampas em reproduções de imagens de objetos antigos da Grécia, adquiridas pelo seu pai, e a criar ilustrações para poemas escritos por ele mesmo. A Sagrada Escritura era sua mais dileta inspiração.", InfoEscola.


“Toda comida sadia é apanhada sem rede ou armadilha”, escreveu William Blake, em crítica a quem resume os animais a alimentos, em The Marriage of Heaven and Hell (O Casamento do Céu e do Inferno), uma de suas obras mais famosas, lançada em 1790. No livro, um dos maiores poetas da primeira geração do romantismo inglês transmite suas crenças vanguardistas e sua espiritualidade peculiar por meio de uma combinação de prosa, poesia e ilustrações aos moldes das profecias bíblicas. (Disponivel no website: David Arioch – Jornalismo Cultural).

Um tordo rubro engaiolado
Deixa o Céu inteiro encolerizado
Um cão com dono e esfaimado
Prediz a ruína do estado
Ao grito da lebre caçada

Da mente, uma fibra é arrancada
Ferida na asa a cotovia,
Um querubim, seu canto silencia
A cada uivo de lobo e de leão
Uma alma humana encontra a redenção
O gamo selvagem acalma
A errar por aí, a nossa alma
Se gera discórdia o judiado cordeiro
Perdoa a faca do açougueiro


Além destes brilhantes autores, têm outros que também defendeu o vegetarianismo como o Machado de Assis e Edward Carpenter. E você? Conhece algum poeta vegetariano? Conte-nos!  

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