Literatura dá sono?

Literatura dá sono?



"Poesia é chato", "Literatura dá sono"... Quem nunca ouviu uma destas frases? Pois é! E você não pode negar que o interlocutor destas palavras na maioria das vezes são estudantes, né?

Dizem isso porque as obras literárias não são mostradas da forma correta em colégios. Os educadores não mostram poemas aos alunos, não mostram a raiz desta Arte, mas sim a história da literatura. 

Agora refletimos: Se você nunca teve contato com Augusto dos Anjos, Machado de Assis, Castro Alves ou Rachel de Queiroz; como você vai gostar destes mestres das letras? Como que você vai interpretar a linguagem formal do Machado? - Complicado!

Também é difícil ter um leitor que não fique espantado com metáforas do poeta paraibano Augusto dos Anjos ou qualquer outro simbolista. E normalmente o primeiro contato com este autor é no ensino médio - Então é de suma importancia que desde o fundamental o aluno seja leitor para que futuramente venha a ler escritores mais 'difíceis' como é o caso do Augusto ou Machado, mas atualmente isso não acontece e os estudantes descarregam toda a raiva na Literatura.

Se muitas escolas brasileiras apresentassem a literatura de uma forma diferente no fundamental, estas definições absurdas feitas pelos alunos seriam outras, pois é fácil deixar jovens leitores impressionados. Como por exemplo: mostrar um poema infantil recheado de rimas (E é obvio que as crianças adoram rimas). 

Carolina
colore o colo de cal,
torna corada a menina.

E o sol, vendo aquela cor
do colar de Carolina, 
põe coroas de coral

nas colunas da colina."

(Colar de Carolina. Cecília Meireles)

Já para os jovens do ensino médio que não teve nenhum contato na fase infantil com a literatura, ainda tem jeito de mudar esta visão de que "literatura dá sono". A melhor opção seria se a escola fizesse saraus poéticos e leituras de contos. No sarau, poemas de Cruz e Sousa  e Augusto dos Anjos fariam sucesso se recitados da forma correta e sem passar grande parte falando sobre a história deles ou a métrica, pois a musicalidade na escrita destes autores, a melancolia e o 'suspense' são coisas que impressionam o adolescente.

"Tu és o louco da imortal loucura;
O louco da loucura mais suprema.
A terra é sempre a tua negra algema,
Prende-te nela a extrema desventura.

Mas essa mesma algema de amargura,
Mas essa mesma desventura extrema;
Faz que tu'alma suplicando gema
E rebente em estrelas de ternura."

( O ASSINALADO. Cruz e Souza)

" "Sou uma Sombra! Venho de outras eras,
Do cosmopolitismo das moneras...
Pólipo de recônditas reentrâncias,
Larva de caos telúrico, procedo
Da escuridão do cósmico segredo,
Da substância de todas as substâncias!

A simbiose das coisas me equilibra.
Em minha ignota mônada, ampla, vibra
A alma dos movimentos rotatórios...
E é de mim que decorrem, simultâneas,
A sáude das forças subterrâneas
E a morbidez dos seres ilusórios!"

(Monólogo de uma sombra. Augusto dos Anjos).

Com tudo dito, a escola brasileira deve executar novas ideias para, tanto mostrar toda a história da literatura, mas também apresentar outros lado divertidos por meio de eventos literários e recitação de contos e poemas na sala de aula. Assim, não só irá formar alunos para concursos, mas também leitores para o resto da vida.

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