Análise - Psicologia de um vencido - Augusto dos Anjos

Análise - Psicologia de um vencido - Augusto dos Anjos

Augusto dos Anjos (poeta paraibano) é popular por exibir uma lírica mais forte em seus escritos. Nasceu no dia 20 de abril de 1884 e morreu em Leopoldina em 12 de novembro de 1914. Publicou uma única obra intitulada de "EU".



Já analisamos aqui o Versos Íntimos e hoje iremos ver um pouco do determinismo presente no Psicologia de um vencido (um dos sonetos mais popular do autor e um dos mais declamados em saraus).


"Eu, filho do carbono e do amoníaco,
Monstro de escuridão e rutilância,
Sofro, desde a epigênese da infância,
A influência má dos signos do zodíaco."

Em versos decassílabos o eu lírico narra desde o início que é filho da matéria (Carbono e o amoníaco) e, também no segundo verso, conta que é monstro de escuridão e de luz (rutilância) o que é considerado um paradoxo por conta que 'não há como' ser escuro e cintilante.  

Produndissimamente hipocondríaco,

Este ambiente me causa repugnância...
Sobe-me à boca uma ânsia análoga à ânsia
Que se escapa da boca de um cardíaco.

A segunda estrofe do poema mostra palavras fortes como o autor dizendo que é de forma grandiosa um hipocondríaco (aquela pessoa que com uma simples doença ou um simples tédio acha que é algo imenso e que fica desesperada). Também deixa seu protesto a humanidade no segundo verso: "Este ambiente me causa repugnância..."


Já o verme — este operário das ruínas —

Que o sangue podre das carnificinas
Come, e à vida em geral declara guerra,

Essa é uma das estrofes mais marcantes da poesia de Augusto dos Anjos e é neste terceto do soneto que o eu lírico vem falar dos vermes. Sendo desta forma, aqui entra um pouco do Naturalismo — onde o homem é produto do meio e não tem como fugir da morte. Aqui o verme é servidor das desgraças, ou melhor: operário das ruínas.

Anda a espreitar meus olhos para roê-los,

E há-de deixar-me apenas os cabelos,
Na frialdade inorgânica da terra!
O interessante é que, o verme sendo operário das ruínas, uma hora ou outra (mirando os seus olhos) vai vir te devorar! "E há-de deixar-me apenas os cabelos,/ Na frialdade inorgânica da terra!"


E foi com este soneto que Augusto dos Anjos marcou sua época e quebrou com muitas regras literárias do Parnasianismo. Vale lembrar que o autor também antecipou o modernismo e seus versos são sempre contemporâneos.  

Leia também: 

Análise Versos Íntimos

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