Entrevista com Augusto dos Anjos - Fanfic

Entrevista com Augusto dos Anjos - Fanfic


1913 - Um ano depois do lançamento do seu único livro EU e um ano antes de sua morte. O autor foi chamado para prestar entrevista no programa de TV local da cidade em que residia (Leopoldina). Vestiu-se formalmente e chegou uma hora adiantado, pois, como de costume, não gostava de atrasar-se.

O entrevistado da vez é o poeta paraibano Augusto dos Anjos que lançou recentemente sua obra EU. Augusto, é um prazer imenso tê-lo aqui no programa - Iniciou a gravação o Jornalista Antônio Moreira que, portava em seu corpo, terno e gravata preto.

R - O prazer é todo meu - Comentou o Homem magro de cabelos lisos deixando sair um riso pequeno de felicidade. 

Antes de tudo, caro poeta, conte-nos o porquê de ter vindo morar aqui em Leopoldina... Sendo que tanto ama a Paraíba.

 R - Tive a honra de ser chamado para ser Professor aqui em Minas, região que tanto me acolhe bem e faz-me adorar seu povo tal como a Paraíba me faz. Por isso,  estou aqui em terras mineiras vivendo lecionando e admirando os amigos intelectuais filhos deste solo.  

Sua obra está com fortes críticas no momento por conter uma linguagem mais complexa e por exibir um conteúdo mais forte como: podridão, morte, ceticismo. A dúvida que não quer calar é: Por que escreves desta forma? Melancólica, forte...

R - Prezo pela liberdade. Acredito que as forma clássicas de escrever apenas coisas alegres limitam os novos autores. E, sobre as críticas, não tenho o que responder. Todavia, escrevo assim, versos românticos, simbolistas mas, de alguma forma, parnasianos também. Não tenho como mudar meu estilo. Talvez não seja eu um grande poeta, mas tento, - Replicou de forma calma sem gaguejar e perder-se no que quis dizer.

Quais autores influenciam na produção de seus versos?

R - Ah, vários. Os que bem admiro são: Nietzsche, Schopenhauer, Shakespeare, Allan Poe. Mas também os estudos da ciência e psicologia fazem-me produzir.

Sobre um de seus sonetos:

"Quando a faca rangeu no teu pescoço,
Ao monstro que espremeu teu sangue grosso
Teus olhos - fontes de perdão - perdoaram!

Oh! tu que no perdão eu simbolizo,
Se fosse Deus, no Dia do Juízo,
Talvez per doasses os que te mataram!"

Qual sua relação com a natureza? Em alguns versos mostras um amor grandioso pelos animais.

R - O ser humano é muito horrendo... Não admiro aqueles que maltratam por prazer os bichos. Meu desejo nesses versos era mostrar pranto do animal morto! Talvez assim meu leitor tenha uma pequena dor pelo animal.

Augusto, qual sua relação com a religião?

R - Ultimamente não tenho uma ligação maior com Deus. E duvido de algumas coisas da religião, sim. 

Como nascem seus versos?

Grande parte dos poemas do meu livro nasceram embaixo dum pé de tamarindo lá de minha terra. Hoje nascem em meu quarto. Normalmente em noites.

E a paixão pela leitura, como começou?

Falar de livros lembra-me meu pai. Foi ele quem me mostrou a literatura. O mesmo tinha uma vasta biblioteca. Aprendi a amar os livros e adquiri conhecimentos de outras línguas graças à ele.

O jornalista passou as perguntas para a plateia e uma mulher morena, cabelos cacheados indagou ao entrevistado:
Sabendo que você não tem tanto reconhecimento atualmente, já pensou em desistir?  

R - Não. Lançar um livro era algo que queria há muito tempo. Nunca desisti de minha obra! Foi difícil publica-la, mas quando seguro nela eu vejo que tudo valeu apena. Sobre o reconhecimento, espero alcancá-lo futuramente, mas agora é só esperar, pois, o difícil já fiz: Lançar o EU.    

Essa foi a última resposta do Augusto dos Anjos no programa de TV.

Um comentário :

  1. Eu já lhe disse Isso, mas irei repetir, tu, a meu ver, és um dos maiores expoentes da literatura moderna e um magnífico amigo e poeta. Saiba disso.

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