Crônica - café e caos - Danilo Soares

Crônica - café e caos - Danilo Soares

Dose de café. Por que iniciar uma crônica citando a cafeína? Porque tudo com sabor faz sentido. Posto à cama numa noite melancólica e ouvindo Don L, observo a fumaça mágica do café sair ante a xícara e rio em lembrar que há mais delicadeza nela do que em todas declarações ridículas de afeto. 
E, ainda em um nirvana imenso, reflito deliciando-se com o café. Reflito novamente, lembro de tudo e, com mais de um pensamento, me encontro sendo mil pessoas. Pus mais café na xícara. Em descuido derrubei sobre a mão. Doeu igual quando criança que cai de bicicleta. Porém é poético, a quentura é demasiadamente estupenda. Até que a dor física em duração traz um favor. Faz esquecer todos os problemas inúteis que atrasa o meu cotidiano. 

Lembro que hoje é dia dos namorados, penso que poderia estar me importando mais com isso e me torno grato por não me importar, lembro que sou lindo e de que sou boa pessoa, de que sou meu escritor favorito. Respiro fundo em meditação, aprecio mais um gole de café, vejo, em meu quarto, as garrafas de vinho totalmente secas, secas, secas... Droga. Rio olhando para um desenho que outrora fora tão mais importante quanto agora, rio de novo. As coisas vão perdendo valor e eu nunca desejei que elas perdessem. A vida é tão... Incrível, nos adapta a qualquer coisa. 

Volto a lembrar das coisas... Passeio na asa de um pensamento vagabundo, vândalo que odeia escola. Passeio pelas ruas que antigamente fui idiotizado e que hoje sou orgulho. Rio como antes e recordo do homem dizendo que almeja que seu filho seja igual a mim. Tomo mais um gole e rio. Ah... Café! Obrigado pela crônica.



12 de junho, 2019

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