Crônica - Vinho e um amor acabado

Crônica - Vinho e um amor acabado

Eu era um anjo com o par de asa quebrado e destruído de tudo, depressão no ensino médio, namoro recém terminado e tudo que tinha era um livro publicado que eu mesmo já estava enjoado dele. Estava desesperado, vontade de correr pelo mundo afora e sem avisar para quem amo. O choro era livre, por isso existia pranto a vontade. A perda do relacionamento juntou com outras crises e tudo era intenso numa pessoa intensa, desgraça. O poeta é desgraçado por natureza, tenho certeza.

Mas o peito pedia algo novo, o peito queria beijar a miséria como um faminto beija a comida e eu dei-lhe novidade. Vinho e smirnoff ao som de Vicente Celestino. Um dane-se mesmo. Bêbado, a vontade era de ligar para todas as ex-namoradas e dizer: Obrigado, a vida é bela sem vocês e o álcool no meu estômago tem gosto melhor que o amor no peito, porque vinho é saboroso ao ponto de me deixar prestes a sentir asas plugadas em minhas costas e me dando impulso para voar. Obrigado mesmo, a vida é boa quando tu cais inocente e levanta justiceiro como Rorschach. A verdade é que todo mundo sabe o que faz quando num aguenta a pimenta estourada no íntimo. Sem mais metáforas: dane-se o amor que num soma e o azar da natureza humana.

- Danilo Soares


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