Lembranças - Crônica - Danilo Soares

Lembranças - Crônica - Danilo Soares

A gripe me pegou. Sinto-me vivo com uma espirrada. Mas não só a gripe, a febre também me pegara e, num sendo o bastante, as desgraças da mente também me pegaram. Entenda "desgraças da mente" como: lembranças. Lembro e choro, porque é recordando que  me vejo vivo. Lembro de quem era, de minha casa antiga (hoje passei por ela, vi a árvore que plantei com 7 anos de idade), lembro do último abraço que dei em minha amiga (agora as lágrimas caem). Lembro, lembro e a cabeça dói de tantas lembranças. Creio que nesses dias eu morro de saudades. Da saudade de filosofar com meus antigos amigos, da saudade de me sentir acolhido na asa da esperança.
Pretendo parar de escrever um dia, mas como se isso sempre é meu desabafo? Por exemplo agora que escrevo essa crônica: pra quem diria de forma tão profunda esse conjunto de recordações que vagueia na minha cabeça e me deixa até mesmo sem dormir? Só a literatura me entende, porque ela não fala e está sempre na ponta de meus dedos.
Volto a lembrar do último beijo sem amor que dei em uma dama, e da última vez que também beijei com amor a moça que um dia tirei o chapéu. Comparo os dois beijos e os dois num valeram nada.
Me acalmo, medito, choro e tento dormir de novo. Lembranças são estrelas caindo em minha cabeça de adolescente problemático.


Nenhum comentário