A Poesia da Saudade — Simone Moreira e Cristian Lima

A Poesia da Saudade — Simone Moreira e Cristian Lima

Aranhas, Senhora de Oliveira, MG. Créditos: Simone Moreira.

Saudade

Tem momentos na vida 
Que a gente se embola
Lembra, desorganiza,
E em desespero chora.
Chora por se lembrar
Do tão distante amor.
Por lembrar do lugar de paz,
Dos amigos e dos pais.
Nós entramos em balbúrdia
Pois somos pesos frugais.
E se desorganizar 
Com certeza não é erro,
É sinal que sentimentos
Estão germinando no peito.
Sonhando em seu querer.
Essa celeuma interna,
Sem grandes impedimentos
E só servem pra mostrar,
Que independente da idade,
A distancia se acrescida
Do sentimento amor,
Sem dúvida se transforma 
Na tão temida saudade.
Espere que o poema 
Não vai terminar aqui.
Se existe a saudade
Alguém já te fez sorrir.
Ela não é tão ruim,
Se tu olhar por esse lado,
A saudade é um sinal 
Ela serve pra lembrar,
Que no momento pior
Abrigo você será,
E se por acaso tropeçar
Há quem te ajude a levantar.

Então se levante,
Se desfaça e se refaça.
A saudade que corrói, 
Não precisa mais doer.
Encontre, ou ligue,
Ou mande aquela mensagem.
Quando bater a saudade
Deixe o outro vir saber,
Esses momentos de luta
Te elevam, faz crescer.
— Simone Moreira

Terra Paraíso — Saudades e Agrados

No tempo após o sol que sucede a labuta
Dentro dos repentes do instante assim
Dezenove, no mês da Santa capital
Suplantei os livros pelas roupas de verão
E adentrei sem questionar o coração
Na rua sem tempo para a Terra-Paraíso
Findou com o cerrar da pálpebra do dia
Foi quando o cinzento atroz tomou o teto claro
Que n'outras plagas portentosas pude ver-me 
Sob os discos negros, pus meu chão de pele 
E a luz que havia apenas era o penejar...
Deusa azul das manhãs, à qual lhe deixei o ar
 Sinta-se a mais viva das vivas com seu luar
 A lua aqui é bela, porém a sua é cintilar
 Fulgura mais que a nitescência destas telhas,
 De ser sempre meu lampejo, minha centelha
 Inspiro o ar tão forte por lembrar-te, amora
 E por te ver com seu olhar, nem vejo a hora
 Peixinha, peixinha... No meu horizonte moras
 Nestes casebres, estes seres tão singelos
 E que alguém há de ver simplicidade bela
 Tão belos, tão distantes, recordam-te aqui
 Que durma bem, com minha face frente a ti
 O ar remete ao da morada da Índia sereia
Que Sorriso relembre o dente que penteia
 O coração azul dos teus beiços aquosos
 Saiba, amore mio, que não olvidei teu nome
 Nem com o que me cabe, teu rosto não some
O soar de madeira batida provinha do pátio
 Berros de alarde ouvia sob as luzes da paz
 Tons, infestos de ritmo, na rede propagavam
 Eram pedras de som que sustia com pesar
 Mas junto das pedras sobre a mesa se via
 O porquê ali, com nada e tudo, se ria
 Cunhavam consigo suas glórias e suas falhas
 E o almejo do menino era uma noite sem dia
 Lufadas de Alasca, ventos na casa do céu
 Foi em placidez que flutuamos em um batel
 Flores de um amarelo itinerante
 Com pétalas estas que caem avante
 Elas simbolizam o amor que moldas
 Sendo frágeis que são varridas todas
 Tão lindas, tão singelas, mas a vida
 Não lhes deu a caridade conhecida
 Beatriz, que amor me guarde, canto a ti
 Há tanto que avisto que não miro aí
 Mas há tanto que eu miro que não vês
 Beijar-te-ia com o olho e com a tez
 Contar-te-ei o que tanto opõe as trevas
 A sorte concebeu três flores belas
 Com seu cerne virgem e mentes retas
 Miúdas, mas travessas e irrequietas
 Havia um cravo deveras arretado
 Um girassol de olhar esverdeado
 E uma rosa, a rosa fofa do abraço
 Repuxava chamando-me como laço
 Pequenas e velozes obras primas
 E obras primos, que tal como o clima
Não se antevê um pobre humano
Assim como não há, no porvir, um plano
 Que bem chegada às águas, plena amora
 Virente para todos sob a tora
 Deixa-se a água penetrar na pele
 Purificar a alma quanto mais se mele
 O com os risos de boa correnteza
 Desvanece o dia, porém com leveza
 Inerente aos seres frugais de cá
 Que não têm medo do som de uma pá
 Há graças tão venustas por ali Amo a ti...
 Por que não estás aqui?
 Encontrei-a frente à casa, ela rolava
 Clamei pelo cravinho, que seguisse
 Se minha bola se aterrando visse
 Após a água, a vista via como lava
 Contudo os dedos hábeis arranhavam
 A ver os dois de fora agora dentro
 Perfilaram dois de dentro a nos furtar
 O jovem cravo era feroz para voar
 Eu voava por saber, virara o centro
 Caía, repassando perna pelas pernas
 Conquanto não soubesse o que fazia
 Fazia e ligeiro, pois como que corria
 Virei flor jovem, com pétalas ternas
 O homem, do tatu foi mais sagaz
 Vestia preto, o falar de cabra macho
 Narrava os contos vivos de saci
 Era da vida um sapiente rapaz
 O qual de rapaz o corpo grita, a alma
Agradece... Na escura mata, o facho
 Da vista abrilhantava... E sobre mi
 Abismava com a fonte de saber
 Dos bacamartes já havia por tomado
 Com seu cão americano e o Pit Bull
 Não somente vivia, mas sabia ser
 Impera que alguém que houvera amado,
 A causa de retornar da noite azul,
 Fez medrar o cravinho de amizade
 Que, no após, com a dama retornou
 Ambos que perdiam, ambos dessabiam
 Jogava, era uma peça da vontade
 Mas se direita ou esquerda, ele voltou
 Não se pode remigrar, alguns riam
 A luz celeste aviventa o dia fulgurante
 E as flores, que, com seu amarelo itinerante,
 Caem a planar como que novamente avante,
 Porém, não houve flor varrida, nem pisada...
 Quem lhes deu a caridade é minha amada
 Foste tu que aqui estivestes por demais lembrada
 Peixinha imersa nos mares do meu pensar
 Em minha casa possamos até nadar
 Mas e na sua que reside, por fim, o mar
 Indaguei se vistes belezas como cá
 Agora, posso responder sem duvidar
 Que todos os instantes que no espelho olhar
 De você formosa irei lembrar.
— Cristian Lima

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