A Sonnet Embedded — Para Danilo Soares

A Sonnet Embedded — Para Danilo Soares

O POEMA DO CHIQUEIRO — ONDE VIVEM OS PORCOS
EU NÃO CONSIGO FALAR QUANDO ME SOU ME MANDADO

EU NÃO POSSO DIZER COISAS ALEATÓRIAS, EXCETO POR ESCOLHA
NÃO ME ATRAEM OS FEITIÇOS LANÇADOS AO ESCUDO
EU POSSO VER O CHIQUEIRO ONDE VIVEM OS PORCOS

NA FÉTIDA AURA DO CHIQUEIRO MEDRA A GRAMA
NÃO É CARENTE AO LADO DO MAR DESCANSAR
HÁ PENA, COM A QUAL SE REGOZIJA A LAMA
E TEM DE SABER SER MAIOR DO QUE LHE CABE

DANILO, INSPIRAS A TEU MODO DE MEDRAR
COMO INCRUSTADAS NAS PALAVRAS DE UM ABADE
TU ÉS LOBO QUE APENAS DEVORA OS HUMANOS
TUDO SE DEGENERA AO CAMINHAR DOS ANOS

EU SEMPRE ESTOU ANDANDO, VOCÊ ME CONHECE,
PORQUE A CONTRIÇÃO É UM MAL QUE ME PERSEGUE
ELA, QUE JAMAIS ME PARECE ME ALCANÇAR.

E JAMAIS SUCUMBIR-TE AO MAL EM QUE FENECE,
POIS, SE CAÍRES TU, MAS A PENA SEMPRE ERGUES,
PARA TE LEMBRARES DE ONDE TU DEVES NADAR.

OS PORCOS SÃO O TESOURO DE SUA EXISTÊNCIA
A CARNE MAIS DOCE E PAVOROSA
POR TANTO DETESTADA, QUANDO ERA FEIA A ROSA
E AGORA, TUDO EXALA BELO
QUANDO FOI?
FOI QUANDO OS PORCOS SE TORNARAM EFETIVAMENTE HOMENS
E DANILO SE TORNOU EFETIVAMENTE POETA.

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