Vinho Amargo - poesia

Vinho Amargo - poesia


Vinho Amargo.

Hoje não pude bancar a forte, na maré de minha própria sorte, o medo voltou a renascer, cruel como sempre, vem a noite consumir minha cama, revirar o travesseiro e espantar o sossego.
Hoje não pude fingir que não vi a porta bater, ou espiar da janela o passado, ver os erros lentos prolongados do que eu pensei entender.
Hoje vi possibilidades futuras e engasguei na loucura, sabotei-me mais uma vez. Uma coragem tremenda pra dizer "sem problema" me anulei outra vez.
Hoje não bebi, amanhã beberei o vinho amargo das dúvidas intragáveis, acompanhadas do topor da minha bagunça abrupta, bruta, da impossibilidade futura.
Hoje quis beber a verdade, nua, pura, sem mansidade... Mas esbarrei terrivelmente na saudade daquela que nunca cheguei a ser. Vaguei pelas ruas na sincera absurda de refazer o caos... Foi um sinal. Nesse dança covarde te encontrei na cidade ressuscitou o desejo oculto, aguardo o sinal para outro caos. Pavor me segue, persegue, quando vi já fugi, perdi meu par na pista ou nunca encontrei no final ?
No fim, pouco importa atravessei o sinal, tropecei na esquina, no sonho encontrei o conforto de três sonhos em cacos, quebra cabeça em pedaços, sorri tristemente. Às vezes não entendemos o que a vida programou para a gente.

Dani Santana

2 comentários :

  1. 😍😍😍 Que poema lindo, Dani. Você tem a natureza da Uva, que cresce adaptada aos cachos, é não se encontra solitária. As únicas veses que uma uva se vê sozinha é que é consumida e devorada. Continue escrevendo. Amei.

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    1. Aaaa vindo de tu me sinto honrada ! ♥️🥰 Grata !

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