A Dança Desvairada — Cristian Lima

A Dança Desvairada — Cristian Lima


REIS SEM VENTRE, LEITOS DE REVÓLVERES: A DANÇA DESVAIRADA

Às vezes, o humor nasce da pérola azul

Azul, a cor do distante, a cor das lágrimas, vermelhas

Vermelhas? Sim, lacrimejam as fendas

Lacrimeja o coração

Em uma dança entre cavalos-marinhos e confrarias

O mesmo, sempre o mesmo

No sincronismo de faces e telas,

O que propalam são os pênis

Com o miasma de excretas e mocassins

O que há não existe mais, não existe,

Como afirma, quando se cura o louco de sua própria e inventada cura

De sua própria e retroativa fala, que se fala sobre a fala,

Que ainda está sendo dita sobre a fala que acabou de ser dita

Não há homens sem ventre, não há nem vida, nem fábrica

Não há grito sem gemido, nem gemido sem êxtase

Nem êxtase sem dor, que dor que sente que parece êxtase?

É a dor que simplesmente dói

Não há apenas peito, há respeito

É mais ou menos isso, nem mais, nem menos, apenas centro

E que Centrão, quão democrata é a vida

Quanta desgraça na ferida

Quantos olhos nas batidas

Quantos brancos ofendendo, esmorecendo

Quanto negros repetindo, reiterando e se purgando

Redenção, pelos deus de suas virtudes

Pelo não deus, pela virtude do nada

Nada que faça se ajustar o nada ao seu todo

Não morram pela vida, pois a morte não é vida

A cautela você deve esbanjar em todos

Deve ter cuidado com todos

Pois todos querem lhe suicidar.

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