Respirar — Cristian Lima

Respirar — Cristian Lima

DUQUESA SYRINE PERRIN RESPIROU. SYRINE PERRIN, A ASSASSINA EM SEU ANTRO SOLITÁRIO. A DUQUESA SAIU ERGUEU-SE NOVAMENTE E SE DIRIGIU AO CRIADO-MUDO. POUCO ANTES, APANHARA O PUNHAL PRATEADO. QUANDO ASSASSINAVA, VIA EM OUTREM REFLEXOS DE SI MESMA, E APETECIA SUA PRÓPRIA MORTE. ELA COGITAVA OS RIOS DA MENTE PARA O AR — E RESPIRAVA. DESVELOU O SEGREDO O AR: SEM ELE, TUDO ERA LENTO, POIS DO AR SE DERIVAVA A VIDA, O DENTE-DE-LEÃO NÃO ENVIARIA SUAS SONDAS DE EXPLORAÇÃO PARA OS CAMPOS INÓSPITOS E TODOS OS QUE A MAGOARAM EM SUA VIDA DE INJÚRIAS NÃO MAIS PODERIA SE ENGAJAR EM SUA REPRODUÇÃO VERMIFORME. SEM O AR TODOS AINDA SERIAM ESTATUETAS DE ROCHAS, OU TALVEZ NADASSEM NO MAR MAIS PROFUNDO.

SYRINE, EM SUA MENTE, DESCEU DE SEU PEDESTAL DE DUQUESA HÁ ANOS, MAS AGORA HAVIA SE ENCONTRADO; PENSOU NAS RIQUEZAS DO SÉCULO E NA SUA ESTRUTURA PARCIALMENTE AGRÁRIA DA FRANÇA. TUDO ESTAVA PRESTES A MUDAR. O AR SERIA POLUÍDO DE MÁQUINAS. ELA SE SENTIU COMO A MULHER MAIS INTELIGENTE POR CONHECER OS MISTÉRIOS DAS PLANTAS, POIS DELA FLUÍA TODO O AR. MUITO DELE SAIU QUANDO GRITOU, CONTORCENDO-SE DE DOR, AINDA O PUNHAL EM MÃOS. MAS QUE DOR? HOUVE UMA BATIDA NA PORTA. QUEM SERIA? O FOTÓGRAFO A VER SEU ÚLTIMO ATO?

— MADEMOISELLE PERRIN. — ELE CARREGAVA CONSIGO UMA CÂMERA QUADRADA COM UM PARABOLOIDE POR CIMA. ERA UM RAPAZ FRANZINO, ARREDIO, QUE CUSTOU A BATER NA PORTA NOVAMENTE. QUANDO O FEZ, PERCEBEU A ESTRANHEZA E DECIDIU, POR SEU TURNO, ARROMBAR A PORTA.

AO FAZÊ-LO, O ENFERMEIRO ENCONTROU-A EM SUA POSE MAIS DRAMÁTICA, MAS ELA NÃO MAIS GRITAVA, TINHA A MÃO SOBRE A FACE DIVINA, PARALISADA COM AS MÃOS ATEADAS PARA O NADA. SUA COLUNA SE FRATURARA QUANDO CAIU SOBRE NO SUPORTE DO LEITO. SYRINE PERRIN MATOU O AR E FENECEU NO PISO DO SANATÓRIO.


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