A favor da extinção do audiobook

A favor da extinção do audiobook

A favor da extinção do audiobook. Ironia, claro. Todavia, é correto afirmar o óbvio, antes de mais nada. Audiobook não é livro. Li nesses dias um comentário, em um desses blogs aleatórios da internet. "Se tirarmos a imagem da televisão, não teremos uma televisão, teremos um rádio". Indo nessa lógica, áudio de um livro não é um livro, porque este é um conjunto de arte: diagramação, capa, ilustração e textos, ora. Não ouço audiobook, porque gosto de livros.

Certo. Dir-te-ei que essa coisa de audiobook não me serve, não presta. Sou o leitor que gosta de viver minha própria interpretação dos diálogos, também minha própria entonação, quando lendo. Ninguém consegue ler como leio, não vai ser uma pessoa estranha, que gravou sua leitura de um livro (às vezes, atropelando a prosódia, até mesmo) que vai desenvolver uma leitura como a minha. Se eu fosse uma criança de, sei lá, 2 anos de idade e que ainda não aprendeu a ler, talvez me prestasse a escuta desse negócio, todavia, inda bem que me foi dada a alfabetização. Sei ler, por isso leio. Audiobook deve ser para gente preguiçosa, ou para quem não tem tempo. 

 Voltando ao autor do blog que comentara sobre a TV. Faz sentido, sim. Digo que também temos "essa imagem" nos livros. E o pior, o audiobook a elimina. Quando converso com o texto do Machado, presto toda a atenção em como ele brincava com as palavras, ou como estruturou seus parágrafos. Assim como quando leio o neoconcretismo do Gullar, presto também a atenção como ele fez das palavras ilustrações. Faz sentido perder toda essa fotografia, "ouvindo o livro na internet"? 

O bom leitor que se preza sabe o quão horrível a escuta dessas coisas faz ao imaginário, ao desenvolvimento. Ao contrário, será sinônimo de "brochador". "Você leu o livro que indiquei?", "Não, não, ouvi o audiobook", "ah".

 


 

Nenhum comentário