A Revolta do X Maluco

A Revolta do X Maluco

 

Estamos na sala a 2° série do Ensino Fundamental. Parece que está tudo bem no livro de caligrafia e... Um momento! Parece que está acontecendo alguma coisa lá. Vamos dar uma olhada.

— Silêncio no tribunal! Bem... Sr. X, pode explicar o seu problema mais uma vez? — Perguntou o juiz.

— É claro meritíssimo. Eu trabalho feito louco. Exerço três funções na língua portuguesa e não sou respeitado...

— Por que afirma isso? — interveio o juiz.

— Ora. Eu moro bastante longe da primeira página e o Y e o Z, eles são legais, mas o papo deles já ficou chato há muito tempo.

— Eu lamento, Senhor X, mas, de acordo com a Carta Alfabética Magna, o senhor se encontra no exato lugar onde deveria estar e ocupa o mesmo posto de respeito ao qual todos estão subservientes. Haverá de aceitar as circunstâncias hodiernas. — decretou o juiz finalizando o júri.

Pesaroso, X voltou para casa, na tão desanuviada penúltima folha. Lá estirou-se na cama, jogou o seu videogame, fez palavras cruzadas e pensou no que ia fazer a respeito do seu problema. Passada umas duas horas ele disse a si mesmo.

— É isso! Se eles não querem me dar o respeito que eu mereço então, eu entrarei em greve. Aí eles irão perceber o meu valor. – E assim ele fez. Sua primeira atitude ao entrar em greve foi se mudar da sua velha casa e partir para outro lugar. Sem o X o português virou uma loucura: Palavras escritas erradas e ainda pior, letras como o S, o Z e o casal C e H tiveram que trabalhar mais e entraram em greve temporária até o X voltar. A situação piorou tanto que a própria rainha, a Excelentíssima Língua Portuguesa, ordenou uma equipe de buscas procurar o X perdido.

A equipe partiu de manhã cedo. Procuraram o X em todos os lugares aos quais uma letra desamparada poderia ir. A busca foi finalizada na manhã seguinte e o X não foi encontrado. A equipe estava voltando, já sem as esperanças, quando viram o Y se arrumando escondido para o seu 2° emprego. Todos então decidiram segui-lo. Seguiram-no até o livro de matemática. Lá o Y se misturou aos amigos anciãos, os números que nasceram há muito mais tempo que as letras. A equipe de buscas chegou ao escritório dos numerais e disseram

— Estamos Procurando o X, nosso amigo X! — e os números entenderam de cara a situação e disse:

— Ele está na ala de equações e demais, por ali. — E eles foram correndo atrás dele.

— X! – Gritaram pra ele - Ah, você está aí. Ufa! Você precisa voltar, amigo. Estamos precisando de você.

— Desculpe gente, mas eu não posso voltar. Criei uma vida aqui, por mais que seja uma vida de um dia e também fiz novos amigos...

— Vou adivinhar, que você conheceu há um dia? Ah, por favor, não é? Será que você não entende o valor que tem. Precisamos que você volte, por favor! Fazemos qualquer coisa! — Imploraram.

— Hum, qualquer coisa é? — Então acabou que o problema foi resolvido naquele dia mesmo, mas a Língua Portuguesa teve de atender várias exigências um tanto absurdas como por exemplo: Uma mansão na 1° página do livro, uma condecoração como sendo uma das letras mais importantes do alfabeto e uma permissão que seria igual para o Y de poder trabalhar também no livro de matemática. Cinco meses depois... 

Parece que tudo está em paz hoje por aqui e... Esperem! Parece que há outro tribunal acontecendo no livro de caligrafia. Vamos ver...

— Diga-me, qual o seu problema agora Sr. X? — Perguntou o juiz.

— Sabe, eu acho que fiz um péssimo negócio. Estou cansado do A, ele um mimado e se acha muito e o B é muito a fim do A e aí já viu, não é? Isso já me encheu o saco. Quero voltar pra minha casa na penúltima folha mesmo. Estou até com saudade da minha casinha, dos meus amigos. Ei Z!...

Nenhum comentário