A Lousa Umbilical (Poema)

A Lousa Umbilical (Poema)

 

Como o miado de um gato as presas
Começam a nascer no canto das gengivas
Lancinam ao som de suas tristezas
E rebentam entre as muitas ogivas
O som estridente do giz me atormenta
E as carteiras se convertem em montaria
A garota no front chupa a sua menta
Ela jamais o olhar me ressarciria
Não houve relógios no dia da desprenha
Os zomvadios desciam das portinholas
E ganiam como se fossem a lenha
Da fogueira. Em minha cama de molas,
Eu ainda sou um recém-nascido obscuro
Aquele defrontará os idosos imberbes
Em um futuro astuto, mato, não curo
E me protejo do fogo em minhas sebes
A minha lousa, bela e motriz, não assente,
É a visão de um pente afiado na pelugem
Rasgando o couro das cabeças sente
Mas as mil feras silvestres não mais rugem
Em vez disso, dialogam a plena diafragma
Submetem, não subvertem, e sublimam
A seu pleno vapor, o estuoso magma
— Combustível da anima — e se animam
Pois a lousa umbilical transmite tudo
E não obsta mais nem o contraventor
Não diferimos mais do homem mudo
Nem mentimos menos que o ator
Lousa que ensina, garra que mata
Mata porque pode, afaga e controla
As mentes, e o coração assola.

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