As Telas de Pandora (Poema)

As Telas de Pandora (Poema)

    
  
Sob meu suave toque, o mundo esvai-se em pixels
Coloridos como a poeira sidérea, caindo dos céus
É melhor pararem, as animálias ocultas em seus véus
Multiplicam ao som dos novos importados mísseis

O que aconteceu com o corvo que uiva sincero
E morre na morte, e não na vida? O que houve?
Por que as sementes não cultivam mais o couve?
Eu mesma assinto que entrei em desespero

Com as telas que surgiam, penduradas em folhas
E conversaram comigo em suas tristes aparições
Não importa quanto me esforçasse, sempre sorria
E as minhas lágrimas evaporavam em bolhas

Eu fingia sentir tatear os meus contatos
Instando a digitarem minha alma os meus dedos
E dissimulando todos os meus medos
(Mas nada estava muito distante dos fatos)

Uma vez que a caminhada nunca é eterna
E o final pode ser apenas um poço escuro
Ou um espelho que reflita um monstro
Mas, assim sendo, sempre uma lucerna

Virá iluminar os seus caminhos obscuros
O caminho das telas é somente um refúgio
Um pouco mais feliz e mais sujo
Mas o real tem a beleza nos seus furos

Em como se torce e rasgo o tecido do imanente
Para redefinir os padrões, sem o engodo do defeito
O universo pertence àquele que o sente
Porque o poder sempre equivale a um direito.

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