Crônica de hoje

Crônica de hoje

Se almejas saber, todo sábado tenho vontade de pedalar. Atendo ao desejo. Sim, sem rumo, sem obrigação, somente com meu impulso repentino, vou-me largado, ouvindo as cigarras, posto que já começam a cantar pelas 17 horas, horário que saio, também com pensamentos incomodados, que por sinal, é sempre algum relacionado a filosofia, a literatura, a tudo, até mesmo ao João-Ninguém do bairro.
 
 Hoje, enquanto pedalava, pensava o quanto a gente floresce a um estilo novo com o passar dos tempos. Muito comum quando és um adolescente preso ao laço umbilical, mirando a chatice em tudo, frustado com as paixões, e leitor de Bukowski, complementando. No entanto, quando se desenvolves, será novamente comum se deparar com essa chatice, por exemplo, no Bukowski desta vez — pois agora é fraca sua literatura. Autor chulo, chato, chove melancolia e cagatório clichê. Já não mais lês, porque és um homem.
 
O mesmo serve para as paixões. O ofício de responsável já veio. Tens coisas melhores para se preocupar, certo? Atingir um medalhão, passar no vestibular, e, sei lá, ganhar muito dinheiro, ou pelo menos tentar?! A vida tem um pouco de sal, mas pelo menos podes encontrar um sentido.
 
É, pego a minha bicicleta e volto para casa. Agora já escurecera, superbonita é a noite. Mais bonito sou eu.

- Danilo Soares



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