Então eu li A mulher Que Matou os Peixes de Clarice Lispector

Então eu li A mulher Que Matou os Peixes de Clarice Lispector

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Só minto às vezes para certo tipo de gente grande porque é o único jeito. Tem gente grande que é tão chata! Vocês não acham? Elas nem compreendem a alma de uma criança. Criança nunca é chata.

Aprendi que nunca devemos substimar a literatura infantil, aliás, até mesmo os desenhos animados (amo denhos animados). As obras infantis são na verdade obras filosóficas em linguagem infantil, pois, obviamente, são feitas principalmente para este público.

Olha, não pretendo me alongar nessa resenha, então irei ser direto, beleza? Mas não me julgue, é que tenho outras coisas para fazer. Haha, falando nisso, sobre pedir perdão, é dessa maneira que a Clarice inicia a história A Mulher que Matou os Peixes, pois ela começa realmente afirmando que quem matara os peixes fora ela. Com isso, ela pede desculpas ao pequeno leitor. Daí você já sabe que na verdade ela quer trabalhar as emoções da criança desde o início da história — agora me diz: teu filho perdoaria uma mulher por matar peixes bonitos e amigáveis? 

Essa mulher que matou os peixes infelizmente sou eu. Mas juro a vocês que foi sem querer. Logo eu! que não tenho coragem de matar uma coisa viva! Até deixo de matar uma barata ou outra. Dou minha palavra de honra que sou pessoa de confiança meu coração é doce: perto de mim nunca deixo criança nem bicho sofrer. Pois logo eu matei dois peixinhos vermelhos que não fazem mal a ninguém e que não são ambiciosos: só querem mesmo é viver. Pessoas também querem viver, mas felizmente querem também aproveitar a vida para fazer alguma coisa de bom. Não tenho coragem ainda de contar agora mesmo como aconteceu. Mas prometo que no fim deste livro contarei e vocês, que vão ler esta história triste, me perdoarão ou não. Vocês hão de perguntar: por que só no fim do livro? E eu respondo:— É porque no começo e no meio vou contar algumas histórias de bichos que eu tive, só para vocês verem que eu só poderia ter matado os peixinhos sem querer. Estou com esperança de que, no fim do livro, vocês já me conheçam melhor e me deem o perdão que eu peço a propósito da morte dos dois “vermelhinhos” — em casa chamávamos os peixes de “vermelhinhos”.

 

Ademais, no decorrer da história, Clarice vai nos conduzindo ao amor que teve por outros bixos, por cachorros, gatos e até macacos. Pois é. Ela nos dá motivo para realmente perdoá-la pelo crime de matar os peixes, que na verdade, não fora proposital.

Olha, a coisa que mais achei interessante é como ela conseguiu abordar o assunto de morte em uma linguagem para as crianças. Morte é um assunto tão... "Adulto"? Mas é como falei no início: ela trabalha as emoções dos pequenos.

 "Eu sempre gostei de bichos. Tive uma infância rodeada de gatos. Eu tinha uma gata que de vez em quando paria uma ninhada de gatos. E eu não deixava se desfazerem de nenhum dos gatinhos."

Em última análise, Clarice Lispector traz uma linguagem leve, gostosa e uma narrativa curta que prende o leitor. É um livro para ser degustado, ser lido para uma criança e ser debatido em sala de aula do fundamental.

 

Minha nota é 5/5 estrelas. 

 

 

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