Nietzsche, O Advogado do Diabo

Nietzsche, O Advogado do Diabo

 Nietzche, O Advogado do Diabo

Nietzsche é uma figura pública de considerável respeito mesmo entre os jovens. O seu nome é conhecido por milhares de pessoas, as quais, embora nunca hajam lido qualquer obra nitzcheana, atribuem às pessoas que intercalam citações o título de inteligentes ou instruídos. O fato de que as frases de Nietzsche possuam um peso incrivelmente alto por serem, por vezes, polêmicas ou profundamente tocantes atrai o público juvenil pela simplicidade dos seus princípios filosóficos, que, admito, são velados por um estilo hermético, escrito propositalmente para ser difícil de ser lido. Em um frase retirada do livro Assim Falou Zaratustra "Aquele que conhece seus leitores já não escreve nada para eles" e já no livro Além do Bem e do Mal Nietzsche confessa escrever seus livros de modo que o leitor necessite fazer algum esforço para compreendê-lo. No fim, os pontos principais que parecem esclarecidos podem não ser tão claro à luz de uma nova interpretação e, por isso, muitos estudiosos alegam que as obras de Friedrich Nietzsche são complexas.
E, afinal, por Nietzsche é o filósofo dos criminosos? Eu posso explicar isso afirmando que filosofia de nietzscheana pode ser simplificada como a filosofia do "Foda-se" ou a filosofia do "Faça o que você quiser", respectivamente, amor-fati e Vontade de Potência, conceitos que, habitualmente, são descritos com um pouco mais profundidade e delicadeza e, inclusive, peço perdão por isso, mas o fato é: amor-fati singnfica literalmente "amor ao fato" ou "amor à verdade", e não significa mais do que aceitar todos os problemas e amá-los, amar a beleza da vida (uma vez que você tem conhecimento de que a vida é cheia de empecilhos, por que se preocupar com isso). Isso inclui esquecer o passado e futuro, viver o agora.
O conceito de Vontade de Potência é relativamente mais complexo, pois é tratado como uma força vital da vida que conduz à evolução e à constante transformação de tudo. Aplicado a seres humanos, a potência é o equivalente da felicidade: quando você adquire potência, você se torna um ser mais feliz (por alguns instantes; por isso, você está sempre busca de potência, sempre em movimento, sempre em guerra, pois Nietzsche foi um dos que defenderam a instância da guerra como prevalecente à da paz, pois fornece aos guerreiros o sentido de sua existência). Desprovido de ideologias políticas, Nietzsche é um filósofo beligerante, que busca a guerra contra a religião, a ciência e dogmatismo.
"Faça o que quiser", que não se leia esta frase erroneamente. Pergunte-se nesse momento se o que você quer, de fato, é o que você quer? Você realmente deseja o que você quer ou foi manipulado para querer isso? A questão é que Nietzsche não defende uma ideia específica, mas a liberdade de ter ideias, de discordar e de querer, de ter direito a escolhas verdadeiras. Se eu e você discordarmos, podemos decidir lutar por nossas ideias e, para este filósofo, essa é justamente a natureza humana e, nesse caso, não deve haver um terceiro para intervir. É um assunto restrito a esses dois seres humanos, seja lá pelo que estão brigando.

Nitzsche Prefere Os Bandidos?

Em resumo, os seus princípios defendem a sinceridade para consigo mesmo. Em uma frase retirada de Assim Falou Zaratustra, no capítulo Do Pálido Criminoso, ele afirma "(...) tivessem uma loucura que os levasse a sucumbir, como esse pálido criminoso (...) Que eu prefiro o ruído e o troar e as execrações do mau tempo a essa calma medida (...)". Sendo francos, todos nós somos capazes de exercer crueldade e, algumas vezes, desejamos fazer isso. Desejamos objetos alheios e até matamos em pensamento as pessoas que fura a nossa vez na fila do supermercado. A verdade é que não se trata de defender a criminalidade, mas de não se envergonhar da natureza humana; sejamos orgulhosos por sermos pecadores, que se danem os conceitos de certo ou errado, pecado ou virtude. Uma vez que todos os seres humanos, em situações diversas, são passível a sucumbir à sua natureza animal, como nos casos em sobreviventes perdidos se encontravam em fome extrema e praticaram atos de canibalismo e assassínio.
O que este pobre filósofo alemão almeja de coração é a destruição dos juízes, e esta palavra é empregada por ele não somente no sentido jurídico, e sim no geral: você é uma pessoa irritante, que critica todos aqueles que não seguem a sua lista de regras mentais baseadas ou não em um código moral pré-estabelecido? Não julgamos o comportamento alheio baseado na nossa pré-disposição de escolher um lado e defendê-lo com unhas de dentes? Fazemos isso sempre. Escolhemos um lado que consideramos certo (e Nietzsche jamais escolhe lados). Para ser mais claro, a filosofia nitzscheana prefere a sinceridade de um bandido ao dogmatismo dos juízes, que, se apropriam do status para se autointitularem os donos da verdade; de fato, o poder sobe à cabeça.
E, afinal, por que fazer o que quiser é mais valioso que criar um sistema dominador para frear os nossos desejos e pulsões. Basta analisar a infinidade de sociedades que existem no mundo. Todas elas apresentam uma verdade que é igualmente válida e fundamentada em, literalmente, nada, partindo do pressuposto de que nenhuma código moral conseguiu justificar a sua existência por si mesmo, sem recorrer a alguma religião. Exemplo: por que o assassinato é crime? Alguns poderiam usar os Direitos Humanos "Todos os seres humanos têm direito à vida". Ok. E por quê? Porque, sim ou porque estava em códigos morais mais antigos e até mesmo na Bíblia; e a Bíblia é a palavra irrevogável de Deus. Logo, acabou a discussão. Não existe verdade para defender. Então, qual foi a única constante na existência humana? Simples: nossa capacidade de desejar, nossa vontade de potência.
Nosso desejo sempre nos acompanhou para onde quer que fôssemos. Não importa em que sociedade você viva. Sempre existirão leis e, se as leis existem, significa que há pessoas para infringi-las. A lógica é clara. Em todo o lugar, há leis pétreas com a única intenção de impedir que o ser humano saia de um modelo estabelecido em cada sociedade como o ideal: o cidadão comum.O objetivo das sociedades é permitir que os seres humanos vivam em paz, mas, perguntaria Nietzsche, quem relacionou paz com felicidade? As leis e a sociedade não colaboram para a felicidade individual, mas o contrário, defende a felicidade coletiva.

Veja se você entende:

A felicidade de um ditador genocida ao assassinar milhão é fenomenal para um único ser humano. Ele tem tudo o que quiser, quando quiser, e ninguém tem mais voz que ele.

A felicidade de uma população em paz é numerosa e bem dividida entre seus habitantes, mas é comedida, compartimentada,  a tal ponto que algumas pessoas (as excessões, as falhas, os estranhos, os contraventores) se sentiriam sufocados aqui.

A sociedade, querendo ou não, não pode agradar a todos e, na ausência de qualquer coisa melhor, ela atribui a todos os seres humanos um valor infinitamente igual. 1 voto = 1 vida. A questão é: quem diabos inventou a fórmula para mensurar o valor que cada ser humano tem? Quem disse que são todos iguais? Quem disse que liberdade de um vai até onde a o outro começa? E quem criou o conceito de justiça. Novamente, a resposta é ninguém. Simplificando, toda a felicidade humana depende de uma infinita busca pela satisfação dos seus desejos mais profundos, pelo amor aos problemas e aos obstáculos, pela sinceridade consigo mesmo, que não nega, pelo contrário, orgulha-se da natureza cruel da humanos (que, como sabemos, não pode ser qualificada como má ou boa, cruel ou bondosa). Ela é apenas humana.

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