Nietzsche, O VIngativo

Nietzsche, O VIngativo

 

Quem nunca se viu na dúvida sobre a justiça e a vingança. Afinal, são a mesma coisa ou não? Posso explicar isso de uma forma bem simples. A justiça já foi muitas coisas; a vingança sempre foi a mesma coisa. A justiça varia de pessoa para pessoa, de cidade para cidade e de país para país. A noção mais primitiva de justiça é "dar a ambas as partes a mesma parte de justiça", isto é, olho por olho, dente por dente e tem mais a ver com igualdade, provocar o grau de dano induzido pelo outro. Contudo isso não é nada menos do que vingança. Justiça não é um conceito discutido por Nietzsche, uma vez que, para que exista justiça, são necessárias leis ou princípios dogmáticos para determinar o que é certo (e Nietzsche era contra toda espécie de dogmatismo).
Nietzsche disse uma vez "Uma pequena vingança é mais humana do que vingança nenhuma". Esta é a filosofia dos fortes, dos poderosos de espírito. Você é forte ou covarde? A resposta a essa pergunta irá determinar se você é apto ou não para proceder à vingança. Ninguém lhe força a nada. A decisão é unicamente sua. Você determina o certo e o errado e você determina até onde sua vingança deve ir e há um princípio bem simples para justificar isso.
A priori, você pode pensar que a vingança deve ser igual ao conceito mostrado no começo (se alguém matar a sua mãe, você deverá matar a mãe do assassino, ou o assassino, uma vida por uma vida). Mas, para você, a sua mãe valia mais do que uma vida, valia mais do que duas vidas, valia muito mais que o mundo inteiro, e você jamais será ressarcido pela sua perda. Os significados e os valores que atribuímos às pessoas que amamos e aos objetos importantes varia de acordo com cada pessoa, logo, ela determina o tamanho da própria vingança. Não existe princípio que determine isso.
A vingança, dentro desta filosofia, não consiste em dar a mesma parte de vingança, e sim de dar a sua parte de vingança, pois, dentre todos, o outro escolheu mexer com o que era importante para você. Ele não se importou com o valor que você atribuía àquilo, portanto, ele não tem o direito de encontrar a justiça dentro da sua vingança nem a proporcionalidade do ato. Toda vingança tem sua satisfação determinada pela pessoa que fora lesada: ela é única que compreende o que foi perdido, portanto, justifica seus atos por si só e deve seguir em frente até que esteja completamente satisfeita (e talvez nunca esteja, embora seja um tanto romântico pensar que a vingança não traz qualquer satisfação ao vingador). Pelo contrário, a vingança pode ser uma atividade divertida, capaz de distrair a atenção enquanto ela ocorre, e capaz de desviar a atenção do incrível pesar de perder alguém que ama.

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