O Espadachim e a intimidade (Poema)

O Espadachim e a intimidade (Poema)

 

Rondava-me este canto mortil de estresse
E, quando sussurrava, despedia-se em coro,
Como se a sobrealma se superpusesse
Estafavam-se as dama; eu, arfante touro

Inquiria se a espada era de bom calibre
Pululava por sobre a coroa umedecida
E jatoava seu gozo mais que o Tibre
Num dia de sol, na encharcada descida

Minha espada se perdeu em vossa boceta.
Luzia. Belos reflexos das estrelas, não vês?!
Que me dirá o Rei Arthur em sua perneta?
Que, dentre os reis, serei o pior de três?!

O Pintassilgo é um pássaro chilreante
Não menos verossímil que os dedos infantes
De tuas cabeças proteicas no amante
Meu pássaro almeja a calmaria de antes

E tão somente sobejar na virtude passada
Molhar a cintura cingida de pérolas
Ou sorver a angústia cozida ou assada
Derrete-se em minha espada benévola

Não sangra mais teus lábios em cassetetes
Nem singra os veios de tua flor em outra face
A entrada é aqui e você é o passe
Recubro teu corpo inteiro de confetes

E durante o dia, esqueço que foi noite.

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