Menino de Engenho, minha resenha

Menino de Engenho, minha resenha

 O romance de estreia de José Lins do Rego apresenta fortes traços autobiográficos. A obra relata a vida no Engenho Santa Rosa, com suas desigualdades e a permanência de traços da escravidão. Com uns quatro anos de idade, Carlinhos vê sua mãe estendida no chão, e “o pai caído em cima dela como um louco”. Órfão de mãe e separado do pai, que será internado num hospício, o menino é conduzido ao engenho do avô. O engenho Santa Rosa, situado na zona canavieira à margem do Paraíba, é uma espécie de mundo novo que contrasta com a cidade. Lá, a vida, as amizades da infância, o contato direto com a natureza, a precoce iniciação sexual, a convivência com personagens que moram e trabalham na casa-grande e na antiga senzala, tudo isso é evocado por um narrador que conheceu profundamente um pedaço de um Brasil arcaico, cuja herança escravocrata ainda é latente. O lirismo é uma das principais características de Menino de Engenho, que abrange a infância e a adolescência de Carlinhos, personagem central do livro.

 

A obra Menino de Engenho tem uma grande importância para a literatura brasileira, retrata o ciclo da cana de açúcar. Mas não aproveitei somente esse registro histórico, durante a leitura.

Aproveitei o bom enredo, a boa linguagem brasileira aqui presente na narrativa. Quem vai ler esse livro somente por obrigação de vestibular... Vai perder muita coisa, sim.

Que dizer dos personagens que sempre estão metidos em polêmicas em um engenho? Mas como posso descrever bem esse ambiente que o autor nos apresenta? Trata-se de um espaço rico economicamente e rico em beleza natural. E é aí que recordei um pouco da minha infância. Não, meu gafanhoto. Eu não fui um menino de engenho, risos. É que também desde criança estive presente em um espaço repleto de rios, árvores frutíferas, arengas e outras coisas mais.

Mas... sintetizando; ao ler essa obra, esqueça a linguagem rebuscada, aquela linguagem muito diferente da língua falada. A narrativa é boa, parece que estamos conversando com um velho em uma casa simples, enquanto tomamos um café, ouvindo suas histórias tristes e alegres de quando criança. Aliás, há quem diga que o livro, na verdade, é um apanhado de lembranças do próprio autor, Lins do Rego. E tem uns pingos de verdade, sim.

Pergunto-me por qual razão não tinha lido Menino de Engenho antes.

 


 

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