Eu li Pó de lua nas noites em claro de Clarice Freire

Eu li Pó de lua nas noites em claro de Clarice Freire

Quando a noite fica mais escura e as ruas se calam, a maior parte das pessoas dorme e sonha. Algumas, porém, preferem o silêncio para sonhar acordadas. Clarice Freire, autora do best-seller Pó de lua, faz parte desse grupo. É nessa hora que costuma criar suas poesias e seus desenhos. Em seu segundo livro, Pó de lua nas noites em claro, ela vira a madrugada ao avesso em palavras e imagens, dedicando uma hora a cada capítulo, da meia-noite ao amanhecer. Além dos versos que conquistam o público desde 2013, quando foi criada a página Pó de lua no Facebook, Clarice alterna passagens em prosa e poesia, acompanhando sua personagem durante um longo e mágico passeio pela cidade quase deserta.

Com um humor delicado e muita sensibilidade, a autora desvenda a angústia e a alegria daqueles que preferem a noite ao dia. Sua personagem insone se rende ao desejo de sair da cama e andar pelas ruas em busca de si mesma. Descobre que não está sozinha. Os sentimentos e as lembranças ganham vida, e ela esbarra em personagens como um homem que vaga por viadutos, um vigia noturno e até um misterioso carteiro que lhe entrega correspondências às três da manhã. Com lápis de cor e tinta nanquim, Clarice ilumina a escuridão e continua fiel à missão de Pó de lua: diminuir a gravidade das coisas.

Quando não se tem sono, a insônia nos traz café, além de nos apresentar as sutilezas da madrugada. É aqui que sonhamos acordados, afinal, quem não sonha acordado? Quem não lembra dos constrangimentos nessas horas? Faz parte. A madrugada é um fluxo de consciência e possibilita o amanhecer, todavia. E isso é bom.


Clarice Freire exibe nossos conflitos através de uma personagem que 'passa' uma noite em claro. O livro é bem ilustrado, traz pequenos poemas e algumas cartas.

Uma obra linda, poética. Eu gostei.

 

 



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