O "desfile cívico de 6 de setembro" em Rio Tinto

O "desfile cívico de 6 de setembro" em Rio Tinto

Ontem à noite a cidade de Rio Tinto envolveu-se um tanto diferente, a começar pelo fato de que fazia tempo que não via uma aglomeração tão vasta na praça João Pessoa. A ocasião se deu porque ontem fora seis de setembro, véspera do dia da Independência. Os riotintenses assistiam a um desfile cívico. Eu sei, eu sei, faria mais sentido comemorar hoje, dia sete. 

Aliás, antigamente, bem lá antigamente, a gente riotintense vira um sete de setembro lindo. Era tradição dessa cidade montar uma arquibancada para que o público se aconchegasse e assistisse as apresentações que homenageavam a sua identidade, e hoje não vimos, talvez pelo fato de que vivemos atualmente uma pandemia — estamos em "quarentena", esta "quarentena" que a gente quebra por se incomodar com o tédio e com a solidão — ou pelo fato de a prefeitura não ter se importado com a cultura da cidade novamente, vai saber.

Pois é. Ontem, dia seis de setembro, lá vinha uma escola. Na frente de toda a escola, um maestro conciliando o ritmo. Com as mãos ele indicava aos músicos: abaixa o volume do saxofone, aumenta mais um pouco. Atrás dos músicos, umas meninas de preto e branco, marchando e tocando pratos. De repente, saía uma luz vermelha e uma leve fumaça do meio do grupo, a mesma fumaça que ia até as costas da estátua do Frederico João Lundgren, tentando diálogo com ela. Na plateia, uma pessoa fumava, alguns cruzavam os braços, outros filmavam, gritavam por pura empolgação e acrescentavam: olha fulano lá na frente, não sabia que ele iria desfilar. 

Depois, a escola mudou-se de lugar. Saíra do meio da rua e caminhara até o lado do milkshake. O público fez o mesmo. Agora a escola dançava um ritmo que parecia tango. Aliás, um casal de colombiano ali presente na plateia parecia gostar do ritmo. 

Nesse momento, já era possível ouvir algumas críticas da plateia: "essa escola tá melhor que a outra que desfilou recentemente" ou: "a outra que desfilou errava muitos passos, essa não erra". 

Mas a apresentação acabara lá para às nove e quarenta dessa noite. O que foi um tanto estranho. O desfile durou uns trinta e cinco minutos. Mas não reclamo. Contudo, a apresentação fora razoável e o melhor de tudo nem fora o fato de ter assistido ao desfile, mas sim de ter reencontrado tanta gente. 



 

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