RESENHA - Noah Foge de Casa

RESENHA - Noah Foge de Casa

 


SEMPRE TEREMOS A OPÇÃO DE VOLTAR E RECONSTRUIR

 

Sim, sempre falei e sempre falarei do John Boyne, não só por ele ser o meu autor favorito, mas por me proporcionar histórias e momentos únicos. Uma conexão única entre autor e leitor.

Confessarei um pouco sobre essa leitura. Noah Foge de Casa eu o li faz cerca de 4 anos atrás e não, não é um bom livro. Não indigno de leitura, mas com muito pesar eu o diria ser indigno de muita atenção. Irei explicar melhor mais pra frente.

Antes de falar do livro propriamente dito, vamos explorar um pouco a mente do John Boyne. Boyne tem 2 tipos de escrita, escreve novelas (sendo a maioria de homossexual e segunda guerra mundial), e livros infantojuvenil, sendo o mais conhecido de todos O Menino do Pijama Listrado.  Em suas novelas, John Boyne quando não pega uma história que de fato ocorreu no mundo real e coloca elementos que não tiveram, mas seguindo a mesma narrativa, nunca faz algo que seja surreal. Suas novelas tratam de assuntos sérios e cotidianos, mas eu diria com uma pitada de injúria, não pra nos abalar ou prender, mas pra nos fazer entender que existe sim o que ele nos conta. (Com exceção de seu primeiro livro O Ladrão do Tempo e do A Casa Assombrada, onde tem elementos sobrenaturais como imortalidade e espíritos). Já em seus livros infanto juvenil, Boyne sempre usa de ideias extraordinárias, como 'poderes' e objetos e animais falantes, coisas comuns em livros infantojuvenis (Com exceção de O Menino do Pijama Listrado, O Menino no Alto da Montanha, Tormento e Fique Onde Está e Então Corra. Parando pra pensar, uma boa parte rsrrsrs). Eu tenho algo que me incomoda para falar sobre os livros do John Boyne que tento ignorar, que é que seus livros infantojuvenis, nenhum é para crianças e adolescentes... São complexos e de difícil interpretação, um exemplo disso é O Menino do Pijama Listrado e O Menino do Alto da Montanha (Que por sinal, se interligam), são 2 livros em que tratam da guerra de forma brutal, não tem coisas irreais e sobrenaturais e não tem uma lição de vida e tem finais que abalam, então não os classificaria como infantojuvenis. Já seus outros livros infantojuvenis que tratam em suas narrativas elementos extraordinários, são complexos e de difícil entendimento (Ou eu quem não consegui captar rsrrsr). Um breve resumo de A Coisa Terrível que Aconteceu com Barnaby Brocket é que o poder incontrolável do protagonista de voar, nada mais é do que um alguém que já nasce com pré disposição ao homossexualismo, ou que nasce com alguma deformação e tem que aprender que isso é normal e que não se deve adequar a sociedade, e sim a sociedade aceitar. Tudo isso pra mim John Boyne escreve de uma forma que eu considero complexa e de difícil entendimento, pelo menos para mim.

 

Agora sim podemos falar diretamente de Noah Foge de Casa. Aqui conhecemos um garoto de 8 anos, que em um dia qualquer decide simplesmente sair de casa com medo de enfrentar seus pensamentos. Assim da forma que eu falei, parece ser algo bobo, mas ao ler o livo e se aproximando do final, você entende Noah. No caminho de sua fuga, Noah encontra várias coisas bem extraordinárias, encontra animais falantes e algumas árvores com vida própria, que se desmontam e montam. Em um certo momento Noah encontra um homem bem velho em uma casa que vende brinquedos, mais especificamente bonecos marionetes. Lembro que ao mesmo tempo que era surreal os detalhes da casa, do velho e dos brinquedos, era também um pouco medonho. O tempo também não era algo normal, as coisas avançavam de uma forma diferente e os dias eram estranhos. Durante boa parte do livro tanto o velho quanto o Noah trocavam conversas e experiências, o velho contando sobre sua vida no esporte de corrida e como era seu relacionamento com seu pai, já Noah conta aos poucos sobre o porque de verdade fugiu de casa.

Mas afinal, porque Noah fugiu de casa?
Sem querer dar espoiler, mas talvez algo fuja um pouco do meu controle. Para nós, pelo menos para mim, chegar à pensar em um garoto de 8 anos fugindo de casa é algo bem estranho. Só consigo imaginar que ou sofria abuso sexual ou agressão, ou é uma criança com sérios problemas mentais para fazer tal escolha. O que Noah fez, eu acreditaria mais que um adolescente faria ou um jovem. Mas aso decorrer da história, especialmente nas conversas dele com o velho,  começamos à descobrir. De início Noah nos entrega que fugiu de casa por não gostar de casa, simples assim, esquisito né? Mas rapidamente descobrimos que nem ele sabe o real motivo de sair de casa. Descobrimos um garoto angustiado, não por coisas triviais, mas por algo que vamos descobrir bem no final do livro. Eu gostaria de fazer 2 paralelos aqui, 1 deles todos perceberão ao ler, que são as pequenas histórias e referências que o livro faz quando Noah entra na floresta, temos aqui várias histórias de crianças. Os animais falantes nos remetem à Branca de Neve e os ventrílogos nos remete diretamente à Pinóquio, coisa que fica extremamente clara pra nós. Já o segundo paralelo, que creio muito eu ser de forma muito indireta, porque ambas histórias não tem nenhum paralelo, é que Noah Foge de Casa é extremamente semelhante ao livro e filme 7 Minutos para Meia Noite, sim. Em 7 Minutos para Meia Noite, conhecemos um garoto, que não me lembro, deve ter uns 12 anos, não foge de casa, mas foge da sua realidade ao conversar todos os dias com uma árvore que nada mais faz com que ele expresse seus sentimento, e aqui em Noah Foge de Casa, temos a mesma ideia.

 

Um pouco da psicologia de Noah Foge de Casa
O motivo para eu afirmar que os livros infantojuvenis de John Boyne são complexos e de difícil entedimento, são os que todos eles tem bem na entrelinhas. Aqui talvez tenha bastante spoiler, então estejam avisados.

Noah do nada decide fugir de casa, e quando ele entra em uma floresta, ele logo encontra alguns animais falantes e algumas árvores que tem vida própria, aqui Jonh Boyne começa à colocar os elementos fantasiosos, até aí tudo bem. As coisas começam à mudar quando Noah encontra a casa de um velho, que também é uma loja de ventrílogos, que julgo eu serem meios amedrontadores, segundo a visão de Noah. E é aqui que começa a psicologia do livro. Os animais falantes eu interpreto como o primeiro ponto de fuga que Noah usa para fantasiar sua mente, de forma proposital, para deixar de pensar nos problemas de casa, do que fez ele fugir. Mas pouco depois ele encontra uma casa que tem uma escada que é infinita juntamente com as horas e os dias. Dentro da casa, nada faz sentido, como a escada que nunca termina e é inapropriada para um velho e do tempo que não tem medida comum. Começamos à ver aqui que Noah tem algo que o assusta muito e que na verdade não são os bonecos. Vemos que o velho trata os bonecos como uma superação pessoal, mas para Noah não, então vemos que Noah não está conseguindo superar alguma coisa, não consegue na verdade pensar nisso. O velho também conta muito sobre a sua carreira no esporte de correr e sobre como isso influenciava em sua relação com seu pai e logo percebemos o que de fato Noah não quer enfrentar, os seus verdadeiros demônios.
Na minha visão, assim como acontece em 7 Minutos para Meia Noite, tudo o que acontece em Noah Foge de Casa, na verdade acontece só dentro da cabeça de Noah, quando ele foge de casa, ele passa por algum trauma/pânico que o faz enfrentar o seu maior medo de todos, que você verá no final do livro, e se eu não estiver enganado, tudo do livro acontece em poucas horas, do memento em que ele sai de casa ao memento dele voltar.

 

Noah Foge de Casa não é fantástico, mas é extraordinário. Um livro bem delicado e leve na proporção certa, mas pesado em seu interior, mas somente para quem o percebe.

 

 

Por enquanto é só galera, até mais!


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Título: Noah Foge de Casa
Autor: Jhon Boyne
Editora SEGUINTE
Ano: 2011
Páginas: 195

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