Te prometi o mundo, mas nem vou te dar

Te prometi o mundo, mas nem vou te dar

O rapper mineiro — Djonga — tem uma música genial. Chama-se "Solto" essa obra que ele diz: "Vida tá corrida e eu nem tô na de te escutar/ Te prometi o mundo, e adivinha, eu nem vou te dar".

Sim. Identifico-me porque sou um canalha. Claro que as condições justificam em alguma medida, mas isso não remove o fato por completo. Eu sou um canalha e às vezes tenho orgulho disso. Eu prometo o mundo para quem amo, sempre prometo, mas nem me esforço para dá-lo. A última dama que namorei, através das minhas promessas,  já estava acreditando que viajaria para a Argentina comigo. Eu dizia que iríamos para Buenos Aires e beberíamos somente vinhos chiques.

"Mas, meu anjo, não sei falar espanhol", ela dizia. E eu intervinha, dizendo que não precisava, que eu cuidaria de tudo, pois "sou fluente, meu anjo". Ela ria. Mas ela era pessimista e dizia que não tinha dinheiro para viajar, enquanto eu mantinha meu otimismo medíocre: "seremos ricos".

Se eu pudesse voltar no tempo e enxergar-me dizendo "seremos ricos", daria um tapa na minha cara e gritaria três vezes: cala a boca, canalha! Do que tu estás falando?

Resultado: não fomos para a Argentina, não ficamos ricos e nem tomamos vinhos chiques, no máximo bebemos o Quinta do Morgado — vinho açucarado e muito frutado, comprei por quinze reais! Essa foi a realidade de quem dizia que iria beber, ao lado da mulher, os mais caros da Argentina.

Tenho tempo para nada, assim como num tenho dinheiro para nada, pois sou estudante de LETRAS. Nessa circunstância: continuarei prometendo o mundo.

 

 
 Imagem da internet. Dom Quixote.

Texto de Danilo Soares.

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