Um aprendizado sobre humildade com os clássicos

Um aprendizado sobre humildade com os clássicos

Beleza. Vou desabafar, porque quero.
Esse ano está acabando, vou falar qual foi o maior aprendizado que tive:
Através de uma aula de literatura do professor Clístenes Hafner — inclusive fora ele que me mostrara isso com uma precisão enorme —, aprendi o que de verdade é a humildade.
Na aula, o professor exibe a humildade que Dante, o poeta fundador da língua italiana e um dos maiores poetas universais, teve ao colocar o poeta Virgílio como seu guia.

Tá, e daí? E daí, que Virgílio é um dos maiores poetas clássicos. Entendeu a relação? Dante, outro gigante, reconhece que Virgílio é muito maior que ele. Por conta disso, é Virgílio que o guia. Entendeu? Entendeu que a gente deve andar com quem é maior que a gente e ter a humildade de reconhecer o nosso tamanho diante outrem maior?

Abaixamos a nossa cabeça ao ler um livro, para ler o que um gênio escreveu, assim como estamos de cabeça baixa para o sol. O sol é a nossa maior fonte. O livro é uma das nossas maiores fontes também. A humildade é tanta que não devo questionar o sol, caso eu olhe tanto para ele, estarei cego em minutos.

O tempo todo estou no ombro de gigantes. Já consegui êxitos que muitos não conseguirão e às vezes meu ego deseja abraçar essa causa. Mas eu digo, fica aí. Reconheço, então, quem é maior que eu. E novamente volto ao silêncio.

Mas é essa humildade que me faz aprender as coisas. Literatura, línguas... Aprendi português, tupi, espanhol, francês, mas porque tive bons instrutores e reconhecimento de que sou pequeno, por isso devo ir de pouco a pouco. Aprender uma língua é tipo ir colhendo grão em grão. E isso é onde exerço minha humildade: sem pressa e sem pressão.

Nos ombros dos gigantes
Vejo todo o ocidente.
Vejo até onde vai a loucura,
Vejo até onde vai a razão.

Nos ombros dos gigantes
Conheci a minha capacidade.
Conheci meus ancestrais
E a minha identidade.

Nos ombros dos gigantes
Percebi o meu ego.
Percebi meu ser volátil
E o que é a educação.

Fui guiado ao abismo,
Mas fui guiado às montanhas.
Nos ombros dos gigantes
Visualizei toda a cidade.

Destes ombros chorei
Destes ombros sorri,
Destes ombros bradei,
Destes ombros renasci.

Danilo Soares



Ilustração Gustavo Doré, D.Quixote

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