Eu gosto de mentir

Eu gosto de mentir

Eu não sei vocês, mas eu minto. Assim falava o velho Suassuna. Ele estava dizendo que mente, mas que não é para prejudicar ninguém. Então eu entendo. Existem boas mentiras, realmente. Por exemplo, quando me veem na rua e dizem que me enviaram mensagens e que eu não os respondi, digo-os que ultimamente estou sem tempo e essa é a razão pela qual não respondo quase ninguém nas redes sociais. Essa brincadeira de dizer “estou sem tempo”, aliás, já faz mais de ano. Com certeza quem me ouve falar isso já pensa que sou escravo dos estudos e do trabalho, acho que dizem: “coitado! Tem tempo para nada, sobrevive, mas não vive”. Por outro lado, também penso que essas pessoas sabem que não as respondo porque realmente não quero respondê-las. Nisso, eu minto e as pessoas sabem que estou mentindo, e estas gostam, já que também fingem não saber da minha mentira. Por isso gosto tanto do Suassuna, ele era a favor desse caráter mentiroso dos brasileiros. Diga-me qualquer outro país que a sua nação é mentirosa, mas que também finge ser enganada? Não há! Somente vês aqui no Brasil, porque somos fora de competição no quesito humor.

Mas também existe outro nível de mentira, é o que chamo de pinoquiano – na verdade, acabei de inventar isso, “pinoquiano” ... – diz-se de tudo que é mentira exagerada. Veja bem, existe um cabra que faz sucesso aí na internet, chama-se Tiringa, o maior mentiroso das redes, com certeza a gente pode colocá-lo como “o grande pinoquiano”. Tiringa mente olhando em teus olhos e gesticulando como quem profere umas verdades. Noutro dia o vi falando que já pescara uma traíra maior que um pirarucu, essa traíra tinha mil quilos. Para ser tão mentiroso assim, acho que ele é uma mistura dos pescadores, poetas, caçadores e das crianças aqui da minha terra.

Mas claro que ele diz umas verdades de vez em quando. Eu acredito nele muitas vezes, pois realmente a vida às vezes nos apresenta umas coisas quase místicas. Por exemplo, sempre que conto que, quando criança, junto com meu pai, a caminho de Guarabira, a gente parou o carro para colher uma oliveira do meu tamanho e que, ao colocá-la no carro, este abaixara por conta do peso dela, as pessoas não creem em mim. Mas não ligo, pois, de qualquer forma, a oliveira gigante estava docinha, docinha – outro fato interessante é que fiquei comendo-a por uns três dias, isso porque ela estava repleta de polpa. 

Danilo Soares


 

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